sábado, 1 de março de 2014

A garota que conquistou o tempo (2006)





As vezes é pulando para o passado que encontramos as respostas para o futuro …

Histórias sobre viagens no tempo sempre são um desafio para quem assiste, como para quem escreve. Os detalhes sempre tem que estar em alta, do que o próprio ato de voltar no passado. Digo isso pois, os fatores que contribuem para que isso aconteça, obrigatoriamente precisa ter um motivo bem convincente pra tudo. Tudo mesmo. Acredito que seja um trabalho dobrado para quem escreve a história, como para o telespectador, que precisa captar a ideia do autor.

E isso se aplica no filme ” A garota que conquistou o tempo”, de nome original ” Toki wo Kakeru Shoujo”. Na história, Makoto, uma jovem garota japonesa que adora jogar baseball com seus dois amigos Chiaki e Houseke, acidentalmente consegue a habilidade de viajar no tempo depois de encontrar um artefato no laboratório de ciências. Na primeira tentativa, ela escapa da morte, no entanto, acaba descobrindo como fazer e acaba gostando. Ai entra uma questão interessante: até que ponto usar esse artificio como recurso pode afetar a vida das pessoas ao seu redor? é isso que o filme mostra o tempo todo.

A protagonista Makoto, por sua vez, faz parte do ciclo infinito de personagens de animê que tropeça no nada. Não que isso seja um defeito, o problema é se isso for colocado num personagem fraco, em termos de personalidade. Ou então mostrado repetidamente. No caso dela, esse aspecto não prejudicou em nada, muito pelo contrário, acho que contribuiu com um carisma mais abrangente. Clichê ou não, ficou bom na fotografia.



Ainda falando dela, Makoto é uma personagem sem qualquer tipo de vaidade. A princípio até achei que ela fosse um menino, por causa da sua aparência e manias. Porém, mesmo que ela possua um jeito não chamativo para uma protagonista, ela consegue conquistar o público de outras formas, como por exemplo nos seus diálogos. Ela transmite uma doçura e uma inocência sem qualquer tipo de esforço, sem usar qualquer tipo de artimanha. Ela é simplesmente ela. Esse conjunto de personalidade que normalmente passaria abatido, é colocado de forma muito convincente na personagem, ao qual duvido que alguém não tenha se simpatizado por ela.

A direção de Mamoru Osoda no estúdio Madhouse, também não fez feio ao meu ver. Imagem limpa, cenários altamente detalhados, cores muito vivas. Os principais personagens não possuem lá um grande designer, mas não chega ser um empecilho para os olhos. A trilha sonora me chamou mais a atenção quando estava quase na metade do filme, até porque ouvir uma melodia triste de piano não pega tão bem logo no início, quando ainda não estou vendo nenhum motivo concreto para que eu possa me envolver emocionalmente com a música, e com aquele ambiente. Tirando esse detalhe, eu gostei bastante das entradas e saídas de sons perante as circunstâncias.

A cena em que Makoto volta no passado pela última vez para salvar Chiaki, é um exemplo de como a trilha sonora casou bem com a situação. A letra da música era um tanto que poético, os arranjos eram simples, a harmonia era reconfortante, as cores esbanjadas na tela provocava uma necessidade, os motivos pela qual ela voltava parecia a coisa mais importante do mundo. Esse era o motivo mais lindo de todos. Perfeito, perfeito. A cena mais linda de todo o filme para mim. Uma salva de palmas para esse casamento perfeito que foi entre a música e o roteiro.



Para um filme que envolve cenas repetidas, o ideal seria colocar um tempero diferente para cada pulo ao passado, pra não ficar algo enjoativo. E o diretor Mamoru Osada não decepcionou nessa questão. Em todas as cenas em que retrocedia, nos deparamos com pequenos detalhes que os tiravam da mesmice, e os colocava em uma nova etapa misturada com uma espécie de Dejà vú. Eram as mesmas cenas com novas situações incluídas, foi isso que tirou os espectadores da zona de tédio.

Como eu disse no começo do post, ficção científica é um gênero que exige. Tanto para quem escreve e quanto para quem assiste. Por um bom tempo o filme não se importa muito de contar os porquês, e suas razões, mas, quando finalmente conta, traz um grande baque. E infelizmente não digo no sentido bom, mais no sentido mal. Nos filmes e seriados que apresentam esse mesmo tema, temos vários bons motivos para acreditar nessa insanidade de voltar no passado. Como por exemplo uma máquina do tempo, ou uma simples cabine (Tardis) como podemos ver no seriado Doctor Who, mas por favor né … um noz? como assim produção?

Acho que o roteiro pecou nessa parte, e sinceramente não me convenceu com essa história de ” vim de um futuro aonde qualquer pessoa pode brincar de voltar no tempo”. Acho sim que o filme criou bastante situações agradáveis com essa de voltar no passado, mas o motivo que faz tudo isso acontecer, ficou a desejar. Me parece que se preocuparam mais em mostrar o carro do que explicar um pouco mais sobre o combustível. Afinal, carro é carro né? quem se importa com o pneu, com o vidro, com a cilindragem, com a gasolina e todos os demais blá bla blás? Contanto que ande né? hehe. Não, porra! Não custava nada mostrar alguns motivos mais convincentes pra isso. Não me importaria se fosse um grão de areia, um pedaço de pedra, um cristal ou uma poção mágica, contanto que houvesse uma razão forte por trás, qualquer coisa ia me convencer.

Um noz ainda vai, legal, bacana, é mais criativo do que deveria mais tudo bem, mas o resto da explicação foi mal contada, e simplesmente não dá pra engolir.



Tirando essa teoria nada a ver de voltar no passado, o filme abordou questões muito importantes e acredito que posso enquadrar a palavra ”lições”.

Quem nunca quis voltar no passado pelo menos uma vez pra consertar um erro? ou uma situação que não queria vivenciar? Makoto é uma personagem que mostra bem o lado egoísta do ser humano, que por sua vez, esta tão maravilhada com essa brincadeira que ao menos parou para se perguntar ”de onde vem?” e quando finalmente se deu conta essa mordomia já estava acabando, e no momento que realmente era necessário usufruir desse poder, já não tinha como, pois gastara todas as oportunidades com coisas banais.

O que ela não sabia é que cada ação possui consequência. Suas escolhas não afetam somente a sua vida, como também de tudo que está em sua volta. A vida é uma estrada, é uma espécie de sociedade. Suas decisões irão afetar sua família, colegas e amigos, querendo ou não. Escolher um caminho pra trilhar é fácil, quando não se pensa nas consequências. Agir por impulso pode proporcionar diversos desastres no futuro, e essa é uma grande lição que todos podem até saber, mais na prática não conhece o peso e não sabe como é importante.

Confesso que o final do filme me surpreendeu, e dessa vez me surpreendeu pra melhor. Por mais que ela tivesse um grande poder nas suas mãos, ela nunca podia controlar o que estava em sua volta, isso fica claro quando Makoto não recebe sua confissão novamente do garoto.

Enfim, ”A Garota que Conquistou o Tempo ” é um filme que consegue divertir sim, e trabalha muito bem diversos requisitos de uma boa animação. Mesmo errando na hora de mostrar os porquês, as coisas conseguem andar inacreditavelmente bem. Pra encerrar, deixo minha nota final e um belíssimo diálogo que me fez desabar em emoção.


Nota: 4,0/5,0 _______________________________________________________________


- Te espero no futuro.


- Eu vou correndo.
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