quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Orange (2012) | E se você pudesse mudar o passado?



E cá estou eu, cumprindo minha promessa de falar mais sobre shoujos. Mas não se acostumem, eu sou uma garota difícil, - cof cof .  xD


Atendendo um pedido de um leitor, hoje início uma dieta rigorosa. Só que não é dessas de evitar carne gordurosa, mas sim aquela de se dedicar à algo: Resenhar mais mangás na Nave Bebop. De preferencia coisas que fogem do meu habitat. Pois bem. Você também pode me recomendar qualquer coisa, pelo meu Twitter pessoal (Mesmo eu não twittando nada, sempre to de olho no que cêis falam hehehe... ) ou a do blog mesmo. E sem esquecer claro, da nossa página no Facebook. Caso você tenha me recomendado algo e ainda não tenha saído nenhum post, fique tranquilo que logo logo ta pronto. Prometo. Não desistam de mim e nem desta Nave louca tão facilmente.

Agora sim, vamos ao que interessa terráqueos!! \o/

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Orange Futabasha

Mano, esse mangá dá um nó no cérebro. E não é por se tratar de uma história super mirabolante, cheia de enigmas ultra secretos, como por exemplo, o famoso ''Embromeichon'' de muitos shoujos. O roteiro é simples, e óbvio. Mas não deixa de ser inteligente. Eu adoro as questões que a autora impõe diretamente em alguns capítulos, porque confronta o leitor. Ser desafiado é excitante. Quem lê é automaticamente obrigado a se identificar com o tema abordado. Afinal, quem nunca sentiu arrependimento? E quem nunca prometeu a si mesmo fazer diferente da próxima vez, mas por fim acabou fazendo exatamente a mesma coisa? Então. É sobre isso que o mangá fala.

Em 2012 a revista Batsuma (mesma de Kimi ni Todoke, Aohoraido, etc..) apostou na obra, dando lhe logo de cara todos os mimos que qualquer mangaká sonha já conseguir pro seu xodó. Páginas coloridas, capa estilosa, e muito marketing. No entanto, em menos de um ano, tudo foi pro ralo. E isso tudo porque, a autora Takano Ichigo passou a enfrentar problemas pessoais. Em seu blog, ela havia postado que não aguentava mais a pressão de ser mangaká. Que ela desistiria. E isso foi postado antes mesmo de Orange ser publicado. Os boatos foram aumentando mais e mais de que a autora acabaria sua carreira após o fim de Orange, até que … ela excluiu seu blog e seu site pessoal. Se absteve da internet.

Com isso os comentários começaram a ser maiores e mais intensos. Onde estaria Takano Ichigo? Como terminaria Orange que vivia um dos seus momentos decisivos? O  site oficial da Betsuma, revista onde o mangá era publicado, tomou uma atitude rigorosa: Todos os wallpapers, referências, textos, fichas ou informações sobre Orange ou sobre Takano Ichigo foram completamente removidos do site. Não se achava mais vestígios da obra e de quebra, uma nova série estreou no line-up da revista para ocupar a vaga deixada em branco.

Mas graças aos deuses, o mangá acabou voltando nesse ano, em outra revista, de outra editora. A autora já divulgou que a série não será tão longa. Ta certa ela. Afinal, nem tudo que é duradouro é sinônimo de qualidade. Mas .. se for bem feito, por que não né?

orange2orange1

Bem, voltemos a falar da história de Orange e do afrontamento que a autora impõe sobre seus leitores.

Se tem uma coisa que TODO mundo gostaria de ganhar na vida, com certeza, essa coisa seria uma carta do seu eu do futuro. Não é mesmo? Já pensou como seria ótimo saber o que aconteceria no seu dia,  o que você precisaria fazer pra evitar arrependimentos, e ainda mais: de que forma salvaria a vida de um amor que se foi?  Pois bem. Naho é uma adolescente que recebe uma carta de si mesma dez anos no futuro. No início, obviamente, ela acha que tudo não se passa de uma brincadeira, até que, se dá conta de que tudo que está escrito lá, realmente é verdadeiro - incluindo o novo aluno transferido que se senta ao lado dela em sala de aula, Naruse Kakeru.  A carta fala como se fosse seu diário, e narra tudo com perfeição, até os mesmos personagens – que são seus amigos. Naho então decide ler a carta até o fim. Na carta, ela de 27 anos de idade, diz a ela de 16 anos de idade, que seu maior arrependimento é que Kakeru já não está com eles no futuro, e pede a ela para vigiá-lo de perto.

Devo dizer que, me surpreendi positivamente com Orange. Como vocês já devem saber, não sou muito fã de shoujos, porque sempre tem mais do mesmo. Mas o mundo dá voltas. Milagres acontecem. E exceções acabam sendo bem vistas no mar da mesmice. Orange é aquele mangá que tem os personagens típicos, nos ambientes mais comuns, e que têm como foco um assunto conhecido, porém, pouco explorado em seu íntimo. É muito legal as duas linhas de tempo que a autora Takano Ichigo tece em cada capítulo. A teoria de mundo paralelo, confronta o futuro e o presente, na mesma linha, colocando cara-a-cara arrependimento e  incerteza. Se por um lado à vontade de fazer diferente é a voz da razão, por outro, o medo em trilhar novos caminhos faz da personagem principal escrava de suas escolhas.

Com esse tipo de narrativa, Orange funda sua própria linha do tempo. Talvez seja esse o motivo que o torna tão diferente dos mangás shoujos convencionais. Eu gosto dessa fusão. Há quem se irrite com o futuro trágico que Takano conta repentinamente em alguns capítulos. De início, isso choca. Mas essa é a intenção. É confrontar o leitor. Misturar sentimentos num balaio de gato, e criar uma sensação única. De incertezas e vontades. De arrependimentos à escolhas amedrontadoras. Existe uma confusão gigantesca na cabeça da personagem, e por fim, ela acaba sendo um pouco de tudo. E ao mesmo tempo um pouco de nada. Isso resulta numa história imprevisível, e cheia de surpresas. É extremamente bom. 

Digo o mesmo do romance existente. Mesmo se tratando de uma história trágica, seus diálogos não são assim tão deprimentes. Claro, que existe um e outro momento de botar pra fora suas angustias, mas nada é mostrado como forma de receber aplausos. Delicadamente ela é exposta. Não com fins lucrativos, nem em horas inconvenientes, mas como resultado de idéias que foram merecidamente construídas ali até então. Não é um ''eu te amo'' gratuito, e muito mesmo frescurinha de adolescente. Não há exagero, apenas verdades. Apenas fatos.  

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Eu particularmente, gostei muito de Orange, e pago pra ver o final dessa bagaça (Entendeu? laranja = bagaça. lol). E é com essa piada infame que encerro minha recomendaçãozinha de hoje, e espero que vocês continuem me amando. ;)

Obs: Se eu pudesse mudar o passado não ia fazer essa piadazinha escrota com laranja.



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