sexta-feira, 22 de maio de 2015

Wicked City - O Repulsivo Erotismo Sádico [+18]


Hey você! Está sentindo cheiro de bizarrice? Éééhh, eu também!! Parece que está vindo do banheiro da Nave Bebop, vamos ver o que é???

Wicked City é um filme neo-noir de 1987, do gênero horror dirigido por Yoshiaki Kawajiri, baseado no romance de mesmo nome de Hideyuki Kikuchi.

A história se passa no final do século 20 e explora a ideia de que o mundo humano convive secretamente com o mundo dos demônios com uma força policial secreta conhecida como a Guarda Negra para proteger a fronteira.
Vivemos em uma era de cidades de concreto e aço. Computadores e parafernálias eletrônicas embotam nossas mentes, mas o fato é que existem fenômenos inexplicáveis, bizarros, incríveis e mesmo ilógicos, a maior parte das pessoas não percebem ... imersas na procura de prazeres e emoções alheias, a tudo que extrapola seu mundo de desejos e ambições ... existe um vasto mundo de trevas, além do tempo/espaço, maligno e inegavelmente real onde habitam criaturas plenas de selvageria.          







Wicked City não é um filme sem pé e nem cabeça como o Terror em Love City , e muito menos confuso na hora de nos apresentar o que está acontecendo. Na verdade, é a primeira vez que vejo um filme deste gênero tão bem explicado. O narrador trata de nos contar sobre aquele universo logo nos primeiros segundos do filme. Como se fosse uma promessa, do que iria acontecer nos próximos minutos. Com base nisso, posso afirmar com toda certeza que Wicked City cumpre com o que promete. Os fenômenos bizarros citados são realmente bizarros, os prazeres e desejos estão imersos até nas criaturas ilógicas, o que acaba tornando tudo ainda mais bizarro e perturbador. Embora o filme apresente essa premissa, não acho que a intenção verdadeira do filme seja esta; a de chocar. É uma obra pra se divertir acima de tudo. Incorporar o espírito sádico que existe dentro de você e se deixar ser levado pela vibe. 

A existência do "Mundo Negro" sendo conhecido por poucas pessoas, é uma característica que no começo não me fazia muito sentido. Deve ser porque estava acostumada com a selvageria escrachada em muitos filmes, porém neste, mesmo que em alguns momentos não pareça, a loucura representada naquele mundo é bem contida. É como se estivéssemos nos escondendo atrás de uma ''lata de lixo'' espiando o que estava acontecendo com aquelas pessoas. Ou como se fizéssemos parte da dupla de agentes Taki e Makie.  O comparsa ou o cúmplice. Não importa de que lado você enxergue sua pequena estadia naquela história, ambos os caminhos nos levam a um só lugar. O da diversão.

Wicked City é uma brincadeira que deu certo. Todos os personagens se ''acasalaram'' uns com os outros, rendendo assim um amontoado de frutos. Taki, o garanhão romântico, vendedor de produtos eletrônicos e ao mesmo tempo agente da Guarda Negra, é um bom protagonista pra esse tipo de história. Embora ele seja todo sério, assim como todo o conceito do filme é, eu não conseguia conter o riso. Isso mesmo, você não leu errado. O morenão não parece ter a intenção de provocar risos em qualquer pessoa que seja, no entanto, acredito que isso se deva às emboscada em que ele era submetido. Todas as falas do velho tarado, Giuseppi Mayart - o vovô-nicham de 200 anos de idade com fantásticos poderes espirituais cuja presença é fundamental para trazer a paz de Tóquio - eram muito engraçadas, principalmente quando ele dialogava com Taki. Talvez seja esse o motivo que tenha me arrancado alguns risinhos em relação à ele, ou não, sei lá. Já a Makie - a agente do Guarda Negra, ou o melhor dizendo, a demônio gostosona  que se disfarça nas horas vagas de modelo -  foi uma personagem que de inicio soava como a escada da história, ou então a ''fodona'' que trazia o clima sexual para o filme, só que o final foi tão ''virada 360 graus'', que distorceu essa visão que eu tinha dela. Mesmo Makie sendo uma personagem chata, a conclusão do filme meio que ''suavizou'' minha simpatia por ela.
















O objetivo da história é muito simples. Os dois agente Taki e Makie tem que proteger o vovô dos caras maus, das criaturas bizonhas. Através disso, muitas lutas legais vão acontecendo gradativamente, com forte apelo sexual em meio à escrotidão. Ta aí a ideia básica de Wicked City. Achei bem curioso o plot, a atmosfera toda de ''urgência por baixo dos panos'', a aparência grotesca das criaturas também era um ponto interessante. Em particular, eu sou uma admiradora de criaturas horrendas, não é a primeira vez que vou assistir algo só pela história conter monstros nojentos, Kiseijuu está de prova. Quando percebo que tudo isso vai se juntar a muita sujeira sexual eu pensei ''Okay, essa pode ser uma experiência bastante bizarra que vai estragar de vez minha sanidade mental, mas tudo bem, parece que vale à pena''. E lá vou eu, mergulhar na podridão por algumas horas. Visualmente, os monstros são muito bonitos - se é que se pode chamar de bonito uma coisa daquelas. A mulher aranha com dentes afiados na vagina que aparece logo no começo, é de longe, a criatura mais perturbadora.

Mesmo que Wicked City chame atenção por essas criaturas bizarras, o erotismo é algo que fala muito mais alto no filme. Devo lembrá-los que existe o erotismo bom e o gratuito, aquele que não possui nenhum proposito, o famoso fanservice. E Wicked City intercala cada cena com muita seriedade e ''danadeza'' desde da boa à desnecessária. Seja em formato de ecchi ou do sexo propriamente dito, o filme tem vários desses momentos de erotização, até mesmo em horas inoportunas. Quando você acha que tá tudo bem, o diretor acha um jeito de misturar e colocar ou um apelozinho sexual ou a sensualidade não explícita, muito diferente de A Kite, que é extremamente nítido a putaria. Assim como lá, existe cena de estupro, mas os dois momentos de carnalidade forçada estão inseridas em contextos totalmente diferentes.  Em Wicked City não vemos uma violência que chega a ser constrangedor e escandaloso como em A Kite, o clima não esquenta pra esse nível. Porém, dá pra se dizer que é nojento. Um exemplo disso, é quando o velhinho foge do hotel onde deveria ficar escondido, e vai até um bordelzinho se aliviar. Na hora, achei engraçado, só que conforme a cena avança, aquilo que era até então ''agradável'', vira um horror só, quando a mulher fica com a pele como se estivesse derretendo, engolindo aos poucos o velho dentro dos seus peitos, barriga, e vagina. É repugnante, causa sensação de desgosto. Aquela cena embora não esteja num contexto tão pesado como de um estupro, é sem dúvida a mais assustadora de todo o filme pra mim. Mesmo que aquela violência sexual seja necessário para os personagens se aprofundarem num romance proibido, o momento do velhinho sendo sugado por aquela massa pegajosa do corpo da mulher faz parecer do estupro uma cena desnecessária.


Por mais que pareça hilário e improvável o que eu vou te dizer agora, mas Wicked City também tem romance. Sim, isso mesmo. Depois do filme nos bombardear de todos os jeitos com sua erotização, o filme toma um outro rumo, partindo para um clima mais leve e amoroso. O que poderia desabar toda estrutura do filme de maneira bem idiota, a história acaba transformando essa ideia em uma saída bem inteligente. Taki, o protagonista bonitão escrachado como o herói, e Makie a gostosona que parecia durona mas a medida do possível se transforma na vítima, formam o casal de pombinhos mais estranho na história dos animes que eu já vi até agora. Ambos são personagens chatos pra mim. Desinteressante. Com nada em comum. Sem química. No entanto, o plano de escape de Wicked City soa surpreendente. A sentença final tem significado, coisa que eu não esperava encontrar nesse filme.

A construção da fama do filme parece sem ''fins lucrativos'', mas o desfecho distorce tudo isso, demonstrando uma jogada bem pensada. Há coerência na proposta estabelecida, mesmo que de um jeito não muito agradável e convencional. Não gostei desse lado romantizado do Wicked City e muito menos daquela música chata que toca quando os dois estão no carro voltando do salvamento sexual dos monstros, senti uma forçação de barra que não era propícia. Mas a ideia seguinte faz sentido. E isso quebrou um pouco o gelo que estava se formando entre mim e o filme.   






Sabemos que o diretor Yoshiaki Kawajiri tomou o gosto por animações obscuras logo cedo, depois de estrear um anime com o mais experiente Kazuyuki Hirokawa intitulado ''Lensman: Secret of The Lens'' Kawajiri dirigiu o Neo-Tokyo (The Runing Man), depois foi instruído a fazer um OVA de 35 minutos tendo como base o romance de Hideyuki Kikuchi, que iria mais tarde se transformar num filme de uma hora e vinte de duração, Wicked City. Após terminar, seus produtores ficaram muito satisfeitos por ele ter terminado o projeto dentro de um ano.

Wicked City recebeu na época uma recepção bastante calorosa, dando assim ao Kawajiri ainda mais liberdade criativa. O resultado disso foi o Ninja Scroll , nascia aí o popular herói japonês Jubei Yagyu. Após o lançamento oficial em 1996 , o status de Kawajiri subiria mais um degrau, sendo reconhecido internacionalmente. Em 2002, ele foi convidado a dirigir o The Animatrix, um programa vitrine com os melhores diretores da animação japonesa. Vale lembrar também que antes de The Animatrix ele ririgiu também o Vampire Hunter D: Bloodlust, que também foi baseado num romance do Hideyuki Kikuchi 

Bom, mas voltemos ao Wicked City. O filme foi lançado no Japão em 19 de abril de 1987 por Japan Home Video (JHV) e recebeu um lançamento ocidental apelidado pela Streamline Pictures. Depois de Streamline Pictures perdeu os direitos de distribuição, foi licenciado e distribuído pela Urban Vision. A versão censurada do filme foi distribuído pela Manga Entertainment no Reino Unido com uma dublagem diferente. Tanto o Streamline e Manga Reino Unido dubs foram lançados na Austrália. No Brasil Wicked City recebeu o nome de ''Poderes Eróticos'' (risos). 

Wicked City ganhou uma adaptação em live action feito em 1992 financiada pela Golden Princess Film Production Ltd. O filme foi dirigido por Tai Kit Mak, produzido por Hark Tsui e estrelou Jacky Cheung, Leon Lai, Yuen Woo-ping, Roy Cheung, e Michelle Reis. 

Eeeeeita porra, arreda-te daqui satanáis!!!!!!!!!!

Exótico e de certa forma elegante, provocando sempre o clima de repulsa em cada cena. Wicked City não está no nível de Akira, mas o filme foi um aperitivo do que iria ser lançado no ano seguinte. A obra vale ser vista pela escrotidão, mas principalmente pela história, especificamente por aquele final, que sem dúvida, foi bem recompensador. Não é uma pérola, mas com certeza Wicked City é um achado. Diversão na certa. 

Trailer dublado em inglês. Esse clima oitentista é um amor ♥

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