terça-feira, 16 de junho de 2015

O Reino dos Gatos (Neko no Ongaeshi) - Porque o Estúdio Ghibli Também Sabe Fazer Fantasias Cômicas











Mais um filme que envolve gatos na TL da Nave Bebop, fazer o que né ... os felinos me fascinam *0*

Haru é uma menina que desde criança já se simpatizava com os gatos. Num certo dia, ao voltar da escola, Haru vê diante dos seus olhos uma situação de risco com um certo gatinho, que está no meio da rua, em plena movimentação de veículos. Haru então, sem pensar duas vezes, corre para salvar o animalzinho. Pra sua sorte, ela consegue salvá-lo, e para sua surpresa, o gato começa a falar com ela, dizendo um sincero obrigado. Ela obviamente fica intrigada com aquilo, afinal ela pôde trocar palavras com um gato! Mas logo sua colega, desmente a afirmação dela, declarando que está tendo alucinações por ter batido a cabeça. Haru fica mais tranquila com essa dedução, e ficando um pouco mais calma. No entanto, quando à noite chega, Haru leva um baita susto quando os gatos vira-latas de sua rua começam a se alvoroçar, ela corre até lá para ver o que acontece, e o que ela vê é simplesmente inacreditável.

Neko no Ongaeshi ou O Reino dos Gatos como é mais conhecido por aqui, é um filme do estúdio Ghibli de 2002, dirigido pelo Hiroyuki Morita, pessoa que já fez suas pontinhas em grandes filmes como em Gunsmith Cats, O Serviço de Entregas de Kiki, Perfect Blue, Planetes e dois filmes do Tenchi Muyo. Sua equipe não é assim tão conhecida, o único nome que se destaca é o roteirista Reiko Yoshida, que já trabalho em Aria, Gad Guard, Peach Girl, Samurai X (OVA), School Rumble e Tokyo Mew Mew.  

O Reino dos Gatos recebeu dublagem brasileira pelo estúdio Sigma, e conta com várias pessoas talentosas e conhecidas no ramo da dublagem, como por exemplo a Letícia Quinto (Saori de Cavalheiro dos Zodíaco), Tatá Guarnieri (Kenshin em Samurai X), Armando Tiraboschi de (Narack em InuYasha) entre vários outros.

Pra quem quiser se aprofundar mais na história, O Reino dos Gatos também possui um mangá tankoubon com 215 páginas lançado pela Viz Media nos Estados Unidos com o título de Baron: The Cat Returns.










Vocês estão lembrados de Whisper of the Heart? Então, O Reino dos Gatos é um spin-off desse filme. O mangá de Aoi Hiiragi, onde foi baseado o filme Whisper of the Heart, mostra a menina escrevendo um romance de fantasia, e são essas cenas curtas que a menina escreve no mangá que deu origem para a história paralela do Reino dos Gatos.  

Mas o projeto começou mesmo em 1999. O Studio Ghibli recebeu uma proposta para estrear um curta de 20 minutos estrelado por gatos. Hayao Miyazaki queria três elementos fundamentais para fazer o curta - estes foram os personagens Baron, Muta (Lua) e uma loja de antiguidades misteriosa mostradas no filme Whisper of the Heart. O diretor Hiiragi então foi contratado para criar um filme baseado no mangá, que é chamado Baron: O Reino dos Gatos (バ ロ ン 猫 の 男爵 Baron: Neko no Danshaku) como disse anteriormente. Miyazaki, em seguida, levou o trabalho existente adiante intitulado como "Projeto do gato" e foi usado como teste para futuros diretores do Ghibli - o curta foi esticado e passou a ter 45 minutos de duração. A responsabilidade foi dada então inteiramente ao Hiroyuki Morita.


Mesmo não sendo do Miyazaki, O Reino dos Gatos possui aquela aura doce que a maioria dos seus filmes têm. Só que um pouco mais ''viajado''. Ele é semelhante ao filme anterior do Studio Ghibli ''A Viagem de Chihiro'' no quesito loucura, porém ele é mais contido. Domesticado.  Assim como aconteceu com Chihiro, Haru se depara de repente em um situação em que ela é obrigada a acreditar. No entanto, a sentença de ambas as duas têm grandes diferenças. Enquanto no filme da Chihiro, ela é obrigada a acreditar naquela insanidade para achar um jeito de não perder os seus pais para sempre, Haru é obrigada a acreditar naquela doideira para não se perder de si mesma. O que une as duas personalidades femininas é que; por mais que a diferença de idade seja algo grande, as duas precisam lutar para não esquecer de quem são. Chihiro não pode esquecer do seu nome e Haru tem que se lembrar de que é gente.

O filme não mostra Haru perdendo a consciência de sua realidade, mas mostra ela encantada com a outra. Esse é um dos motivos do porque acho O Reino dos Gatos um filme mais contido em sua bizarrice. Um outro fato que contribui com esse pensamento é que com o passar do tempo, a gente se acostuma com os gatos falarem e raciocinarem como pessoas, e passa a achar isso normal. Logo, as situações seguintes não nos chocam mais, a não ser aquela declaração que o rei gato dá no final de querer *spoiler* se casar com a Haru *fim de spoiler*. Fora isso, o resto é digerido levemente. Ele não consegue chocar, mas sim criar um clima engraçado e leve.   























E é esse clima que me faz crer que o estúdio Ghibli sabe fazer histórias de fantasias cômicas. Óbvio que não é uma obra para rachar o bico de ri, mas sim para apreciar com um sorrisinho no rosto. Eu mesma, eu muitos momentos me peguei pensando ''caramba, esse filme é muito Japão''. Ele remete em muitas coisas o seu país de origem, como a própria aparência da protagonista por exemplo, repare bem que o formato de seu rosto e a sua pele pálida é idêntico de muitas estudantes japonesas. O amor pelo gato é o que fica mais evidente, mas para afirmar ainda mais isso, temos um momentinho de drama escolar logo no início - que inclusive, não entendi até agora o que aquilo acrescentou na história mas enfim -  e também temos um gato pervertido. Essas características são apenas algumas das que me fizeram pensar que O Reino dos Gatos é o filme que mais tem a cara do Japão do estúdio Ghibli - pelo menos dos que eu vi até agora.   

Enfim, deixando de divagar um pouquinho, tem uma coisa que tenho certeza que você ao assistir esse filme não discordará de mim: a qualidade visual é excelente. Quando Haru segue o gato para poder ir até o escritório dos felinos, o filme nos dá um banho visual com  os cenários por onde ela passa. É extremamente simples, as ruas, as casas, o chão onde ela pisa, os telhados por onde sobe, e por fim o reino onde ficam os gatos. E é por ser tudo muito simples, mais ao mesmo tempo tudo muito detalhado e bem pensado, que me encantou. As cores pasteurizadas também tinham o seu charme. A trilha sonora não fica por trás, a música final cantada pela AyanoTsuji é simplesmente meiga. 


Antes de finalizar, quero mencionar uma única coisinha que resume bem todo o filme, em minha opinião. 

"Sempre acreditar em si mesmo.
 Faça isso e não importa onde você está, você não terá nada a temer.''- Barão ♥

















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