sexta-feira, 24 de julho de 2015

Cinema Oriental - O Que Andei Vendo Ultimamente


















Só vi coisa daora!

Nesta postagem você irá conferir quatro filmes que assisti recentemente. Se você quiser que eu comente algum, deixe suas recomendações nos comentários para os próximos. Belê? Okay, vamos logo com isso.

Harakiri (1962)

Por meio de flashbacks, o filme narra a trágica história de um samurai forçado a vender sua espada real para sustentar sua esposa doente e seu filho. É incitado à vingança quando descobre que seu genro cometeu harakiri - forma honrosa para um samurai cometer suicídio - com uma espada de bambu também por falta de dinheiro.

Esse é o primeiro filme que assisti do diretor Masaki Kobayashi, e acredito que serviu como excelente porta de entrada. Com “Harakiri”, Kobayashi ganhou o prêmio especial do júri no Festival de Cannes em 1963, solidificando seu lugar na história do cinema. O clima é completamente tenso e misterioso, revelando diversos momentos de desespero mais também de esperança, mesmo se tratando de um filme que foca na técnica de suicídio. Os flashbacks intercala um passado feliz mas também de muita desgraça. De princípio o  Harakiri (técnica de suicídio para samurais) é visto como apenas um meio de morrer honradamente, mas aos poucos somos aprofundados nos personagens, e tudo vai fazendo mais sentido. Ganhando mais significado. Um outro ponto forte do filme são as atuações, pra quem acha que japonês não sabe atuar muito bem é porque não conhece esse filme. Não é só por causa da angustia estar nítida no olhar do protagonista em questão, mas também pela elegância de todos os atores ao conduzir suas falas.

Harakiri é adaptação do livro de Yasuhiko Takiguchi, que possui o roteiro de Shinobu Hashimoto. O filme ganhou até então recentemente uma refilmagem  pelas mãos de Takeshi Miiki.


Imperador Ketchup (1971)

Um grupo de crianças vestidas com uniformes militares revoltam-se contra os pais e começam a caçar e a matar adultos. Um grupo de meninas despem-se enquanto cantam: "Quando eu crescer e me tornar numa prostituta..." Silhuetas vão dar à praia e dançam nuas ouvindo o bater das ondas. Duas crianças vestidas de ditadores fazem um jogo interminável de Pedra, Papel ou Tesoura até só um resistir. Crianças privam relações sexuais com mulheres adultas pintadas de branco, enquanto que outras arrastam corpos crescidos pela terra anarquicamente deserta. Tudo isto ao som de Wagner, Stravinski e Tchaikovski.

Esse filme requer muita, mas muita, interpretação. Aos amantes do pós-modernismo, essa obra é um prato cheio. Qualquer comentário que eu faça a respeito do Imperador Ketchup será algo totalmente insuficiente. Ele requer muita paciência de quem o assiste, e também muita maturidade cinéfila. Não é qualquer pessoa que irá desfrutar dessa maluquice toda com um sorriso no rosto. Eu mesma fiquei com uma só palavra na cabeça durante o filme todo: ''WHAAAAT?''. Mas ao final, pude sentir sua real intenção e seus valores. 

A intenção é soar provocador, e o diretor Shuji Terayama consegue neste filme. Não sei se é uma boa forma de entrada na filmografia desse cara, mas tenha em mente que é um dos que mais chamou atenção da mídia. Ele é surrealista até dizer chega, todas as cenas são chocantes por apresentar um plot maluco e confrontador. Um país sendo dirigido por uma criança é bizarro, esse filme vai fazer você acreditar nisso, pode ter certeza. Todas as moralidades e costumes de um povo é exprimido e rasgado. É um anarquismo puro, fluída da mente de crianças, que não possuem nenhum tipo de influências passadas. ''O Imperador Ketchup'' é um protesto incomodador, um sonho infantil de liberdade.  

20th Century Boys (2008)

Kenji Endo é o encarregado de um pequeno supermercado em Tóquio. Vive com sua mãe e com Kanna, a filha da sua irmã, que deixou o bebê aos seus cuidados antes de desaparecer. Kenji assiste o funeral de um antigo amigo de infância, Donkey, e ao se encontrar com seus ex-companheiros de colégio não demora em relacionar a morte de Donkey com outras estranhas mortes que vão acontecendo e em volta aparece um estranho símbolo, um símbolo que o próprio Kenji e seus amigos criaram quando eram pequenos, como parte de um jogo em que criavam uma base secreta e que agora parece ter se tornado realidade por uma seita, que parece estar liderada por um enigmático indivíduo chamado Amigo.

Para fugir um pouco das obras conceituadas, recomendo a live action do 20th Century Boys. Na verdade se trata de uma trilogia, mas até agora eu só vi o primeiro e gostei bastante (se alguém souber onde eu acho os outros pra baixar me avisem). Eu sou fã do mangá desde sempre, e posso dizer com toda certeza que esse filme além de ser bem fiel a obra original, possui um grande ar de mistério que qualquer outro bom filme do gênero poderia proporcionar. O diretor Yukihiko Tsutsumi também já adaptou para as telonas o ''Beck'', outra obra famosa pelo público otaku, e recebeu muitos elogios. Chega a ser assustador como os personagens são parecidos com os do mangá, principalmente aqueles molequinhos. Vi há um tempinho atrás, mas lembro que gostei do que vi. Achei válido mencioná-lo aqui para os fãs do mangá, e todos aqueles que procuram um bom entretenimento barato. Fica a dica.

Ohayo (1959) 


1959, uma novidade vem abalar um tranqüilo bairro da periferia de Tóquio: um jovem casal comprou uma TV e todos os garotos do bairro vão à sua casa assistir ao torneio nacional de "sumo", ao invés de estudar. Dois destes garotos, os irmãos Isamu e Minoru pedem aos pais que comprem uma TV. Os pais recusam, e em represália os dois fazem uma greve de silêncio. Recusando-se a falar com os pais e com os outros colegas do bairro, os irmãos acabam provocando uma série de situações embaraçosas. Bom Dia é um encantador retrato satírico da vida familiar suburbana japonesa. Dirigido com muita graça e sensibilidade apurada por Yasujiro Ozu, um dos grandes da cinematografia nipônica.

Yasujiro Ozu é o cara que consegue abordar temas sérios, com críticas, muita sutileza e bom humor. Como é o caso do filme Ohayo, onde a pauta está moldado em uma família japonesa, que se vê em conflitos bobos, mas que possui um grande significado interno, como já era de se esperar do Ozu. Particularmente, esse filme mexeu muito comigo, pelo fato das duas crianças protagonistas, expressarem tudo aquilo que pensam com enorme facilidade e sinceridade. Mesmo com àquela birra que eles fizeram de ficarem quietos, resultou em uma grande força de vontade, em defender aquilo em que sentiam. Além de que, isso representa a cultura japonesa, uma vez que sentem-se reprimidos, facilita com que o desejo de se expressar em palavras fique nula. Isso é o que me fez identificar com o sentimento do filme, mesmo eu fazendo parte de uma outra cultura. Às vezes eu fico boba quando penso no poder que um filme tem. Ohayo é uma obra antiga, de pessoas que moram do outro lado do mundo, mesmo assim, isso não é motivo suficiente para que eu não me identificasse com os dilemas e sentimentos dos personagens. Esse é o verdadeiro poder do cinema oriental meus amigos. 

Porém, não pense que Ohayo se limita à isso, vai muito além de sentimentos, ele usa essas artimanhas para esconder sutilmente uma crítica à sociedade da época do Japão, como o consumismo, a influência da cultura americana, e a exploração do trabalho. Como pode perceber, essas questões não fazem parte apenas daquela época pós segunda guerra mundial, mas são coisas que se nota até nos dias de hoje. Isso sim que é um filme atemporal. Não basta apenas refletir sentimentos universais, tem também, que extrair o bagaço da laranja, colando em evidência problemas sociais de um país inteiro.

Preciso nem falar que esse filme entrou para os meus favoritos né? ♥   

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