quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Li Annarasumanara Num Passe de Mágica



























Perdão pelo trocadilho do título, mas é que esse mangá coreano me dá a liberdade U.U

Este mangá, ou o melhor dizendo, este manhwa (como é pronunciado na coreia) é de autoria de Ha- II Kwon, o quinto trabalho após se dedicar a obras como San-Bong-Ee Hairdressers, The Boss' Romance, The United Three, Kim Chang-Nam e My Heart is Beating. Segundo o Hailgwon, a ideia de fazer o Annarasumanara veio quando ele voltava pra casa numa noite de inverno após ver o ''Cirque du Soleil''. Aquela sensação inusitada que obteve quando pisou na tenda, de ser imergido num mundo de fantasia, foram fonte de inspiração para o autor. Ele disse ainda na introdução do manhwa que teve a ajuda de diversos mágicos profissionais, que com seus conselhos, ajudaram a fazer o lado ''magia'' se tornar algo coerente em sua obra. Uma mistura de infantilidade e maturidade, assim o autor define o lado mágico de Annarasumanara. 

A história é assim: Yoon Ah-Ee é uma jovem que mora sozinha com sua irmã pequena e que vive cheia de dificuldades financeiras. Traduzindo para o bom português; não tem onde cair morta. Certo dia, quando ela está na escola, Yoon Ah-Ee ouve rumores assustadores acerca de um estranho mágico que vive em um parque de diversões falido. Sem querer, ela acaba parando nesse parque e conhece pessoalmente este mágico misterioso. Como qualquer outra pessoa em sã consciência, Yoon Ah-Ee fica extremamente receosa e faz a promessa de não voltar mais naquele local. Só que uma coincidência acaba fazendo com que a Yoon Ah-Ee retorne para lá muitas vezes depois. 

O que acontece no decorrer que faz esse manhwa indiscutivelmente interessante? Bem, é isso que você irá descobrir agora (ou não) na sua nave preferida da blogosfera. ;) 


























Lançado em 2010 na webcomic coreana, Annarasumanara tem 27 volumes, e por causa do grande sucesso, acabou ganhando 3 volumes em versão física. Sobre o gênero, é difícil explicar porque ele tem um pouquinho de tudo. Desde uma leve tensão shoujo, como também às mais evidências claras de uma obra psicológica, Annarasumanara condensa mutualmente cada elemento num determinado momento do mangá. Como se cada um estivesse numa fila, ou até mesmo numa roda gigante, cada sub-rótulo tinha o seu momento de brilhar, e de ficar no mais alto patamar de destaque. O que acaba deixando o mangá com uma cara indefinida. Pra falar bem a verdade, eu precisei ler até o último capítulo pra tentar ter a certeza do que se tratava a história. Eu achava de início que fosse uma mistura de dualidade de slice of life e sobrenatural. Conforme a história caminhava, eu ficava mais perdida. Não no sentido de não estar entendendo nada, mas na tentativa de saber ''qualé-que-é a parada''. Embora a narrativa apresentasse certa fidelidade, os gêneros se confundiam entre si, formando uma espécie de aliança reciproca. Essa amizade de características me entretinha, e cada vez mais, atiçava minha curiosidade. O resultado não poderia dar em outro: avancei na história como um esfomeado devora um delicioso prato de comida.  

Eu caí nesse mangá totalmente de pará-quedas. Estava eu fazendo um belo passeio pelas scans da vida, e de repente me deparo já na primeira página com Annarasumanara. A princípio, a sinopse me pareceu fraca e desinteressante, e de fato ela é, porém, essa arte singular chamou-me muita atenção, pois me fazia lembrar de certa forma, dos animes dirigidos pelo Yusa Masaaki. Aquele negócio fora do convencional, sacas? Então. Aí vi que era curtinho, resolvi ler o primeiro capítulo. Só que quando me dei conta, já tinha terminado tudo. Sim, foi literalmente num passe de mágica.


Eu afirmei anteriormente que Annarasumanara é uma junção de muitos gêneros, entretanto, tenha em mente que oque mais prevalece é o drama. Seu início nos presenteia com muitos socos e pontapés de dramaticidade, num nível que chega a dar desconforto. A protagonista Yoon Ah Ee é uma pessoa desgraçada na vida, tudo está indo em ruínas, desmoronando de tal forma que prende a sua atenção, e cria-se um elo de compaixão do leitor para com a personagem. Eu fiquei tipo assim ''Puxa, ela é tão parecida comigo Coitada, alguém precisa ajudá-la''.  Até que aparece o mágico numa alusão de que fosse um salva-vidas, o herói na vida da mocinha. Só que não foi bem assim. Sim, ele mudou a vida dela de uma maneira, só que em proporção bem inimaginável. Tem certos momentos que senti raiva dele, por ser tão enigmático e misterioso. Nunca dava o braço à torcer. Ao mesmo tempo que parecia ser um mágico autêntico e verdadeiro, mostrava um lado canastrão e desonesto. Ou seja; não dava para saber a real intenção da coisa. Logo, o foco da história mudava para o mistério. Durante muito tempo, o mágico era um personagem sem propósito, mas o final me provou o contrário. Na realidade, tudo construído minuciosamente tinha uma finalidade. Foi um desfecho extremamente plausível. Tudo tinha seu sentido. 

Outra coisa que tinha coerência, foram as  nuances filosóficas do mangá, se você se acha burro pra sacar os significados de certos momentos em mangás complexos, nesse pode ter certeza que se sentirá muito inteligente. Não tem o que decifrar e refletir por horas, tudo já vem mastigado no pacote, e isso não quer dizer que seja uma coisa ruim, pois dessa forma a obra conseguia manter em equilíbrio o lado infantil e adulto. Existia cordialidade nesse quesito. A ideia de construir a história de uma forma que pareça que foi feito por uma criança, como o fato de colocar os personagens em formato de colagens de revistas, e desenhar o resto de um jeito mais maduro, como se tivéssemos lendo um mangá shoujo por causa da arte dos personagens, evidência àquilo que defendi agora à pouco. Delicado mas também muito robusto. Adulto mas também infantil.



























Falando em lado adulto, essa discussão do ''o que é ser adulto'', é um ponto que não ter fim. Eu pelo menos, não consigo ver uma luz no fim do túnel nesse tópico. Só sei que esse é o principal lema de Annarasumanara. A história se trata sim de um coming of age, mas também de uma bela busca por respostas. O ritmo soa bastante dramalhão no começo, mas conforme as coisas avançam, esse aspecto fica mais amenizado. Dinheiro vai deixando de ser um problema para a protagonista, o real vilão são sua futuras escolhas. A indecisão acerca do que deve fazer em relação à sua profissão, é o principal tópico. Seguir seu sonho ou ser escravo do padrão da sociedade. Por fim, Annarasumanara entrega um final bastante realista, o que poderia se tornar um baita otimismo clichê, vira um palco de verdades escrachadas. Annarasumanara mostra que distorcer a nossa realidade pra caber os nossos sonhos dentro, é o caminho pra encontrar a satisfação pessoal. 



Enfim. Minha experiencia com esse mangá coreano se resume em boas lembranças. Foi uma leitura leve, mas ao mesmo tempo pesada, por ser bastante reflexiva. Certamente, não vou esquece-lo tão cedo. Leia num estralar de dedos e seja feliz! Fica aqui minha recomendação.



















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