domingo, 23 de agosto de 2015

Sayonara, Zetsubou-Sensei - Uma Resenha Desesperada






Um professor pessimista que vê em qualquer problema do dia-a-dia uma desculpa para cometer suicídio. Sim, é um anime engraçado.

''Adeus Professor desesperado'' seria a tradução livre para ''Sayonara, Zetsubou-Sensei'', mangá este criado pelo Kouji Kumeta - conhecido pelas obras Go!! Southern Ice Hockey Club, Kette ni Kaizo√P Root Paradise, Sodatte Darling!! e The Sun's Soldier Poka Poka. Muitas pessoas o avaliam negativamente como um cara que só sabe fazer ''filosofias egoístas'' e de certo ponto ''grosseiras''. Dizem até que Zetsubou-Sensei é a obra máxima do seu estilo ''nacionalista problemático''. Bom, mas hoje não irei falar do mangá de 30 volumes, e sim da adaptação em anime, mais especificamente, da primeira temporada realizada em 2007 contendo 12 episódios do estúdio Shaft  (o mesmo de Negima! e Hidamari Sketck) dirigido pelas mãos do Akiyuki Shinbou o cara que possui uma certa familiaridade com o Masaaki Yuasa no jeito de conduzir o humor.

Vale lembrar que o anime ganhou posteriormente outras continuações, como a segunda temporada de 13 episódios (vi e achei melhor que a primeira) em 2008 intitulada como ''Zoku Sayonara, Zetsubou-Sensei'', depois veio um OVA com 3 episódios ''Goku Sayonara, Zetsubou-Sensei'' (foda pa carai também), e a terceira temporada - Zan Sayonara Zetsubou Sensei - com mais 13 episódios, e finalizando com mais um OVA de dois episódios - Zan Sayonara, Zetsubou-Sensei Bangaichi. Se você assistir a primeira temporada e gostar, recomendo continuar assistindo, porque vale muito a pena.


O plot é bem simples. Durante uma caminhada por um bosque com cerejeiras, Fuura Kafuka se depara com um rapaz se enforcando. Na tentativa de salvá-lo, puxa-o, arrebentando a corda. O jovem se surpreende, pois para a garota, é inaceitável que alguém tente suicídio durante a primavera. Fura Kafuka é uma garota extremamente otimista, ao contrário dele, Nozomu Itoshiki, que vê no suicídio a saída para qualquer problema do dia-a-dia.

Sayonara Zetsubou Sensei não é um anime que será digerido facilmente pela massa otaku, na verdade, ele é direcionado para o seu público de origem, logo quem está de fora, no outro lado do mundo, pode perder algumas nuances da história, mas nada que faça você ficar de fora do sentimento da série, visto que, de repente, poderá se identificar com algumas das alunas do professor desesperado Nozomu Itoshiki. Embora se trate de uma crítica social aos modos e costumes japoneses, eu consegui pegar o espírito das personagens, entendê-las em alguns aspectos, e consequentemente, se identificar com cada modo de vida, mesmo que a série não conte o porquê para tal, em determinados casos. Independente se a série explica ou não as razões de cada personagem agirem de tal maneira, ao longo do episódio, vai ficando nítido o motivo pela qual eles agem daquele jeito, talvez não com palavras, mas talvez pelas atitudes do conjunto da sociedade. E é cada conflito interno das alunas que traz o desespero cômico do professor Nozomu Itoshiki. Afinal, ele quer ser bom em tudo, não só apenas em ensinar bem as matérias escolares, mas também quer entender o caráter de cada uma. Não sei se você sabe, mas no Japão os professores não avaliam apenas o conhecimento gramatical dos seus alunos, como também avaliam o psicológico deles, através de uma prova em escrita. Ou seja: Sayonara Zetsubou Sensei não é fictício em nenhum momento, muito pelo contrário. É extremamente realista com a realidade vivida por eles, como também de alguns outros jovens pelo mundo. E o que eu acho mais interessante de tudo é que essas coisas muitas vezes chata, e ofensiva, de refletir comportamentos alheios, não está inserida num anime denso e pesado, mas sim numa obra leve, relaxada, capaz de levar para longe qualquer complexidade exacerbada. Qualquer pessoa pode entender a intenção da obra, mas poucos podem aprecia-las com a mente aberta.

Eu não tiro a razão de quem se sente ofendido quando alguém evidencia um ponto fraco seu através de uma tiragem cômica. Realmente, não tem como rir de algo que lhe machuca. Sei que não tem nada a ver, mas me lembrei agora da série Big Bang Theory, que visualiza a nerdice pelos binóculos, ao invés de mostrar de dentro. Ela satiriza os nerds para quem não é, explicando as piadas e etc. Ou seja: se você é um nerd, ela não ri com você, mas de você. E não há nada pior do que rir sozinho, porque isso exalta uma piada fraca. Porém, voltando ao assunto, não vejo razão para se sentir mal com Sayonara Zetsubou Sensei, a não ser se àquilo lhe fere. A partir do momento que você ri de uma coisa que você considera um defeito seu, você está no controle da situação, isto é: você está se dominando, e não está sendo dominado, logo, aquilo não lhe machuca mais. Se tal pessoa se identifica com algumas das alunas do Itoshiki mas sente um desconforto ao ponto de não curtir a experiência, apenas pelo fato de estar se olhando no espelho, saiba que ainda existe uma dor emocional que ainda não foi curada. Se aceitar nunca é uma tarefa fácil, não minto. Esse ponto de rejeição que por ventura Sayonara Zetsubou Sensei pode ter tido pelo seu próprio país de origem, como também por algumas outras pessoas pelo mundo que se identificaram, alerta um ponto altíssimo da série. Revela uma sociedade reprimida, que ainda não sabe lidar com aquilo, que se vê impotente e fraca, e não acha um modo de se aceitar. Claro, não estou dizendo ''olha, ria dos seus problemas que a piada vai doer menos'', mas estou querendo dizer que quando você consegue enxergar dentro de si e reconhecer sua fragilidade, as coisas ficam mais fáceis. Uma possível solução poderá vir mais rapidamente.

E no final, o que te doía passará a ser engraçado.


Ainda falando do lado cômico do anime, eu gosto bastante das sátiras nonsense do professor, como também de algumas alunas. Gosto também quando muda do sarcástico ao irônico e vice e versa, para mim, esse é o grande brilho de Sayonara Zetsubou Sensei. É muito interessante sim, cada determinada crítica, sinto coerência no desenvolvimento delas, no entanto, a graça está na narrativa; seja pela trilha sonora do Hasegawa Tomoki, pela animação bonita do estúdio Shaft, ou pela própria abordagem de um assunto delicado, todos esses aspectos contribuem para que o humor surja com facilidade, tornando o drama em algo leve, de fácil digestão. Isso se você encarar os episódios sabendo da intenção da série, porque se for olhado por um outro ângulo, o anime dará a entender que é sem foco. Então, não espere ver o cotidiano de garotas moe, ou apenas uma história escolar com um humor genérico, o anime caminha em outra direção. O grande barato está no 'upgrade' ou o melhor dizendo, na 'repaginada' que a série dá na comédia, de forma criativa e estimulante. Esse é o ponto que mais me cativou na série.

Momento constrangedor AHEUAHEUAHEUAH

Outro ponto positivo em Zetsubou Sensei é a contrapartida de personalidades, e o principal deles é o professor pessimista Itoshiki, com a aluna otimista Kafuka. O belo encontro inicial deles, abrindo o primeiríssimo episódio, indica uma história inteligente já com aquele ar de significados em segundo plano. Se existe um anime que me empolgou logo nos primeiros minutos, esse se chama Zetsubou sensei. Não que o resto não tenha me agradado, mas eu achei esse pontapé muito curioso. Porém, o anime possui mais de dois personagens, existem outras alunas que irão deixar o professor verdadeiramente desesperado, com suas personalidades distintas e intrigadoras. A única crítica negativa que tenho à fazer é pelo fato de que eu fico perdida em saber quem é quem ali na história. Por ter um traço um pouco semelhante uma das outras, era complicado memorizar nomes. O que me dava uma colher de chá era justamente as características peculiares que cada uma tinha, se não fosse por isso, eu não saberia definitivamente quem era quem. No entanto, eu consigo ver o lado bom disso aí, tive a sensação de que não importava saber o superficial mas sim o que realmente importava, suas características. Vendo por esse lado, senti suas personalidades bem realçadas, inseridas num tom mais chamativo possível. Eu gostei.




Tem um detalhe que me chamou a atenção que são as metalinguagens e a participação do narrador na história. Não existe uma voz que irá nos contar o que está acontecendo e etc, mas uma tela em preto com as falas escritas, como se tivéssemos vendo um filme mudo. As metalinguagens por sua vez, são muitas, e isso só contribui com o humor e a irreverencia darem certos. Zetsubou Sensei também tem um bordão conhecidíssimo por todos que é o ''Zetsubou da'' (estou desesperado), onde é mostrada com o acompanhamento do personagem mergulhado no escuro, com o rosto em diferentes posições. O que poderia ficar desgastante e com cara de ''zorra total'', se tornou um elemento legal na série, e essencial para definir antes e depois de situação. Ou seja, ficou assim; a personalidade era apresentada, professor detectava o lado ruim disso, soltava o bordão, e esclarecia seu ponto de vista. Começo, meio e fim. Não necessariamente num ritmo religioso, nem era sempre na mesma ordem e do mesmo jeitinho, mas basicamente era assim. 

O episódio que leva o troféu de ouro em minha opinião, é o último, que apesar de não aparentar ser um término de temporada, consegui sentir o humor ainda mais ácido, e foi a gota d'água pra que eu continuasse a assistir as demais continuações. Me diverti muito com essa primeira temporada, mas não é nada comparado a segunda, que em minha opinião, é ainda melhor. Bom, mas essa resenha fica pra uma próxima, porque no momento estou desesperada demais pra prolongar este post. 






















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