terça-feira, 20 de outubro de 2015

Gosick (2011): Mistério e romance, Será que isso dá certo?





















O anime da loba cinzenta com o ceifador negro.

Histórias que se passam no passado ou no futuro, sempre me chamaram mais atenção, devido ao cuidado e perspicácia que o autor tem de reconstituir ou até mesmo inventar uma realidade. Os detalhes precisam estar bem alinhados, porque qualquer deslize pode ser fatal. O ambiente onde os personagens estão situados é um ponto que conta muito sobre costumes e comportamentos deles, ajudando a entender melhor o porque de suas personalidades. Quanto mais minucioso for essa linha temporal, melhor será a absorção. Além de se preocupar em passar uma veracidade tremenda, o autor precisa bolar uma maneira de aquilo soar interessante, amarrando-o numa trama que condiz com a época, e ainda sim, soe como algo presente. Pois bem, bem-vindo ao mundo de Gosick. 

A história desse anime acontece no ano de 1924 em uma pequena nação fictícia europeia francófona, denominada Saubure. O anime se concentra em Kazuya Kujo, o terceiro filho de um Soldado Imperial Japonês, que está estudando por intercâmbio na Academia Santa Margarida, onde as lendas urbanas e histórias de terror são um assunto comum. Lá ele conhece a Victorique, uma garota linda e misteriosa que nunca aparece nas aulas e passa todo o seu tempo na biblioteca, devorando todos os livros ou resolvendo mistérios que os detetives não conseguem resolver. A série em resumo se concentra em Kazuya e Victorique se envolvendo em diferentes casos de mistério e sua luta para resolvê-los, ao mesmo tempo, formando ligações importantes com várias pessoas. (via wikipédia)

Tudo começou com uma série de light novel escrita por Kazuki Sakuraba e ilustrada por Hinata Takeda, publicada pela editora Fujimi Shobo , e finalizada com 13 volumes. Mais tarde, uma adaptação para o mangá também foi escrita pela mesma autora e foi ilustrado por Sakuya Amano, a publicação iniciou-se em 2008 na revista Monthly Dragon Age e terminou em 2011, com oito volumes. Uma versão animada também foi feita pelo estúdio Bones, com direção de Hitoshi Nanba iniciada em 2011, com 24 episódios. 

Deixem aqui suas oferendas pra essa fofinha *-*
Muito diferente de Lupin III ou de qualquer outra série detetivesca focada mais na ação do que na resolução do mistério, Gosick sabe fazer jus aos clássicos do gênero numa pegada mais politicamente correta, mas nem por isso deixa de ser um bom conto policial. Para mim, Gosick é a cara da transformação. É a adaptação do tema para a galera mais jovem. Portanto, não se trata de um retrocesso, mas sim de mescla do antigo com o novo. Ele consegue ser mainstream ser ser. Certamente, Gosick é um exemplo para a sua geração de que dá pra reciclar características boas do passado com a abordagem atual dos animes, sem soar entediante.

Claro que, para quem não suporta ver uma história baseada mais em raciocínio do que em ação, pode dormir em alguns momentos. Porém, isso não significa que essa obra é mal feita, se trata apenas de costume. Se você for um saudosista nato, pode se sentir incomodado com essa linhagem meio infantilizada de Gosick. Bem como dos outros personagens. E não somente isso, como também da própria aparência física deles. Confesso que foi algo que me atrapalhou antes de chegar à assistir. Eu via algumas imagens no google, e não parecia nem um pouco como uma obra do porte. A abertura também era algo que não ajudava nem um pouco nesse quesito, por causa dessa ''glicose'' no sangue altamente explícita. É triste confessar, mas isso afastava meu interesse. Hoje reconheço que fui uma tiazona idiota. Às vezes, perdemos grandes histórias por preconceitos bobos, essa é a verdade. Isso me fez lembrar agora, do que escrevi há um tempo atrais aqui (não lembro em qual post), de que as melhores experiências vêm quando menos se espera. 

Tem um texto muito legal que li no Anime For The People , e acho que isso cabe dizer aqui. Assistir não só um anime psicológico com o ''cérebro desligado'', como também outras obras seja qual for o gênero, é uma das melhores coisas a se fazer. Tentar pausar a todo momento o vídeo pra captar pequenas nuances, pode trazer uma relação infrutífera entre você e a mídia. É preciso sentir acima de tudo. Se deixar levar. Se não gostou, ou não intendeu, com o tempo você pode rever com calma novamente em diferentes estado de humor que você venha se encontrar, e aí sim, chegará na conclusão, de que o tempo muda as pessoas. A bagagem aumenta, e opiniões também. A primeira impressão nem sempre é a que fica. E se ficar, pode ter certeza de que algum detalhe que você não notou na primeira vez, você irá notar agora nessas re-assistidas. 

Pois bem. Foi dessa maneira que tive contato com Gosick. Mergulhei nela sem esperar a decepção em pessoa, como também a paixão eterna. Neutralidade, era e ainda é,o que resume minha estádia. Isso virou minha filosofia de vida já. É um modo de ver as coisas que recomendo fortemente pra quem não quer cometer injustiças na vida. Bom, mas isso é um papo pra uma outra hora ...

Falando agora, no que realmente interessa, foi muito gostoso acompanhar a relação que o personagem Kujo constrói com a Victorique. E o modo de como essas personalidades se entrelaçam e se misturam. Derrubando um pouco de si no outro de forma indireta, essa junção trazia um balanço legal para nascer um bom romance policial. Por um lado temos, a ''Sherlock Holmes'' de vestido, por outro o senpai normalesco de qualquer anime. Apesar do Kujo ser bastante apedrejado, considero ele um bom personagem, ainda que existam momentos que dá uma vontade louca de enfiar uma rolha na garganta dele, pra que pare de gritar ''VICTORICAAAA'' quase em todos episódios. Entendo que isso faz parte de uma expressão de sentimentos, mas isso não muda o fato de que seja irritante. Victorique por sua vez, consegue ser a ''fodona'' e fofinha ''guti-guti'' ao mesmo tempo. Não sei como raios isso deu certo, só sei que funcionou bem. O irmão de Victorique, com seu penteado que faria o Elvis Presley ter inveja, é um nada ali na história no começo, só que depois, ele tem um importância tremenda ali, numa narrativa gradativa que representa uma boa construção de personagem secundário, ainda que não perfeita. Só não gosto da professora e da aluna Avril Bredley - a garota que foi sequestrada e depois ficou apaixonada pelo Kujo. Sério, ainda não vi qual o sentido delas ali.

Eu adoro a delicadeza como o enredo é montado. Em pequenos arcos, com lendas, flashbacks e muito, mas muito mistério. Gosto como as coisas são contadas, e depois desmascaradas sobre outra perspectiva. Somente uma boa história investigativa poderia proporcionar isso. O romance entre os protagonistas Kujo e Victorique, é daquele jeito gelado e bobinho, porém, a execução final de uma saga, trazia um clima de intimidade agradável para eles, aproximando-os ainda mais. Criou-se então uma relação de amizade bonita, e um amor não-exagerado. O que trouxe um ponto altamente positivo para a série.





Por fim, a sensação final é de satisfação. O estúdio Bones entregou uma boa animação, acompanhada de uma trilha sonora bastante singela e merecedora. Basta assistir a abertura do negócio, que você saberá do que estou falando. Mas não se engane. Gosick não é muito romance, e nem muito mistério. Eu diria que tem mais mistério do que romance, no entanto, o anime soube trabalhar bem as duas coisas juntas. O resultado foi uma mistura interessante entre o velho e o novo, com um clima misto de tensão e sentimento. E  deu muito certo, embora peque em certos detalhes; seja na sabedoria mágica da protagonista em algumas situações, como no amor dos dois nada muito explícito como nos últimos episódios. Mesmo que eu tenha achado a carga dramática um pouco mais forte do que a história realmente pedia no desfecho, ainda acho que Gosick teve uma boa conclusão. É uma série acima da média, que teve seus altos e baixos. Se eu pudesse colocar uma nota final daria entre 7 e 8. 

Portanto, deixo aqui um super recomendo ;)


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