quarta-feira, 29 de junho de 2016

A espionagem descompromissada de Joker Game

Papo curto e sem maiores ambições sobre um anime que também representa o mesmo.


As faíscas que deram origem à Segunda Guerra Mundial se acendiam no 12º ano da Era Showa, durante o Outono. Uma escola secreta para desenvolver espiões foi criada dentro do Exercito Imperial Japonês. A história pessoal, o nome e até mesmo a idade dos mais qualificados homens, aqueles que passaram no exame de admissão, eram mantidos em completo sigilo. Eles rapidamente completaram o treinamento que desafiou os limites de seus corpos e mentes. Sob o comando do fundador da escola, o tenente-coronel Yuki, eles começaram a se infiltrar em vários lugares pelo mundo. Em suma, um novo serviço de inteligencia havia surgido. E este foi batizado de ''Agência D''.

É desse jeito que Joker Game se vende no inicio de cada episódio. Além de servir como um lembrete para os mais esquecidos, a sinopse introdutória também ressalta o espírito da série, de que o foco é, e sempre será, a espionagem. Os personagens não são o brilho, apenas a escada que leva os espectadores à luz ao fim do túnel. O mais valioso é como os casos surgem, se desenrolam, e consequentemente, terminam. Episodicamente, Joker Game nos transporta para a época estabelecida sem nenhuma dificuldade, e atiça o interesse para o que está acontecendo no momento, sem criar grandes laços afetivos com os personagens. Não existe um mergulhar ou aprofundamento em cada um ali, apenas o básico do básico. E isso já é o suficiente pra manter alguém ali assistindo cada caso. Além de aprender um pouco de história, Joker Game te faz sentir burro por não deduzir antes as cartas debaixo das mangas, mas também faz lhe sentir inteligente por perceber ao término o labirinto - muitas vezes - bem construído que cada acontecimento proporcionou.

Capa da Novel
Adaptado pelo estúdio Production I.G, o anime é dirigido pelo Kazuya Nomura, e escrito pelo Taku Kishimoto, pela qual trabalhos anteriores eu desconheço. Por outro lado, temos no comando da trilha sonora o Kenji Kawai, que esta em ativa desde 1986 com animes conhecidos e destacados, até nos dias de hoje. Ao todo, foram 12 episódios, e em julho, teremos mais dois especiais.  Um mangá esta em andamento pela revista Monthly Comic Garden desde fevereiro desse ano. Também existe um filme live-action dirigido pelo Yu Irie em 2015. Mas tudo isso, anime, mangá e live-action, são adaptações da Novel de três volumes de Koji Yanagi, conhecido por história de mistério e Thriller, e reconhecido pelo seu trabalho com prêmios e nomeações diversas.


Sou péssima em guardar nomes de personagens japoneses, ainda mais se têm muitos envolvidos em poucos episódios. Definitivamente, eu não nasci pra isso. No caso de Joker Game, isso não faz grande diferença, até porquê, como antes dito, o foco não está neles. Mas sim no quê eles fazem, como e por quê. Por fim, não me simpatizei por nenhum deles, e acho que a intenção nem é para tal, caso contrário, teríamos episódios mais centrados numa coisa em específico, e não foi isso o que eu vi. Apesar deles serem genéricos num todo, ainda sim, são muito melhores dos que de Mayoiga por exemplo. Não que eu prefira personagens adultos ao invés de crianças e adolescentes, mas é que sem dúvida, eram mais coerentes e menos irritantes. Se você assistiu ambos os animes, há de concordar comigo. Mas resumindo, assim como acontece com o elenco, Joker Game não é cativante. Não é aquela série pra recomendar para os amigos, ou assistir ansiando um show explendido, cheio de nuances, e sub-camadas como possa aparentar. Joker Game não vai mudar sua vida, e não vai entrar para os seus favoritos. Ele não é pra ver com o olhar apurado como foi com o Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu  - anime que terminou no temporada anterior, e que se passa na mesma época - Não é para tanto, por mais que exija um certo grau de concentração mais elevado em certos episódios, ainda sim, interpretar nuances, se apaixonar pelos envolvidos, se sentir tocado pelo o que ele tem à contar e oferecer, não é para Joker Game.

Essa obra é um punhado de contos de espionagens alheios, sem grandes intenções. Gosto da narrativa, mas ela é do jeito dela. Bonita no que ela se propõe, e nada mais. Gosto de como uma informação ultrapassa a outra, e do modo como a explicação, o ato, e muitas vezes o fim, ultrapassa o começo. Um exemplo disso é o episódio 12, que por sinal é o último. Àquele episódio não tem cara de final. Não se tem a sensação que a série está acabando, a não ser na última frase dita, que também, pensando bem, não é grande coisa. Porém, já é algo aludindo ao desfecho, ou algo relacionado. Agora pegue o episódio 01 para rever, isso explica o quê é Joker Game, pra quem ficou boiando em tentar entender a pretensão da série. E ela nada mais é do que isso; ''partidas rápidas de baralho''. A sensação que fica é que foi um passa-tempo, bem divertido.






Pra quem acompanha o Twitter do blog, talvez tenha visto que eu fiz uma pequena maratona por lá, comentando os episódios que ia vendo, com alguns prints. E revendo meus comentários, percebo que meu grande destaque se referia aos cenários bem desenhados e coloridos. Sério, Joker Game tem uma retratação de época muito linda, e a cada lugar, meu encanto era maior. Cada canto escondido por sombras, tinha uma beleza encantadora. Um chame maravilhoso. A nevasca dos episódios finais então, é de uma obscuridade e frieza extremamente bem balanceados, e visíveis no clima da série. 

Dito isso, fica impossível não elogiar a produção do anime, que não ousou em criar designer diferenciados aos personagens, mas soltou os cachorros ao trabalhar bem o ambiente, e certas cenas de ação. A animação visualmente é bonita, e eu não tenho do que reclamar. Embora meu grande encantamento se refira aos cenários mesmo, e ao contexto escolhido de se contar a história. Os personagens indistintos não me agrada, muito menos o designer de certos outros coadjuvantes, mas isso já era de se esperar de um anime que não liga para elenco, e não os trata com relevância. Então, tá tudo bem.





















Eu espero que a imagem acima lhe faça viajar por alguns minutos, ao tentar imaginar o que se esconde em cada cada esquina, quanto mais, na escuridão que vem do fundo. Pois Joker Game é justamente isso. O que vai além, é ilusão.

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