domingo, 17 de julho de 2016

Orange - Comentando os 3 Primeiros Episódios














Prepare os seus lencinhos umedecidos ...

Uma história sobre arrependimento. Takamya Naho é uma jovem do colegial que recebe uma carta do seu eu do futuro (mas precisamente, em seus 26 anos de idade) , explicando tudo o que irá acontecer em seu dia. De início, ela fica um pouco assustada. Mas logo percebe a veracidade da carta. O que Naho não imaginava, seria no quão sério as revelações na carta se tornariam. Além de guiá-la em seus dia à dia para encontrar a felicidade nas pequenas decisões, Naho terá que prestar mais atenção em seu novo colega de classe, Naruse Kakeru.

Não se engane com o primeiro episódio de Orange. A história não é tão fraca como possa aparentar ser. Já que o mangá já está finalizado com 5 volumes, o diretor Hiroshi Hamasaki (já trabalhou em muitas coisas, incluindo Steins Gate, mas nada relacionado à Shoujo) não terá problemas em adaptar a trama com 13 episódios.  E se o anime segue fielmente a obra original, não fique preocupado quanto à qualidade do enredo. Posso garante a você, que é uma das melhores histórias que tivemos recentemente no mundo dos mangás. Minha preocupação maior é pelo fato da animação estar simples. A trilha sonora comporta pelo Hiroaki Tsutsumi por enquanto, é bem apagada, não possui nenhum tipo de emoção. O mesmo posso dizer do trabalho que o estúdio vem apresentando, totalmente simplório demais. Eu sei que meu coração de fã pede por uma animação mais bonita e fluída, afinal, Orange merece todos os cuidados do mundo. No entanto, isso não torna um empecilho grave, porque se trata de um slice of life. Uma adaptação simples, não é o fim do mundo. Mas confesso que ia gostar muito de ver as expressões dos personagens me passando algum tipo de sentimento, o mesmo digo da trilha sonora. Porém, pode ser que eles estejam economizando para os outros episódios, então, vamos aguardar.


















Como ia dizendo, Orange parece ser uma trama bobinha, ainda mais, quando estamos falando do primeiro episódio. Não dá pra ter empatia com ninguém, o modo como a carta surge é uma incógnita, não existe supostamente nenhuma ameaça ali. Nem os fãs de shoujo, poderão se empolgar tanto com essa apresentação, já que não existe nenhuma alusão para o romance. Então, porque caralhos Orange se torna tão emocionalmente profundo e especial? Ora, é justamente com a revelação dessas coisas aparentemente sem sal.
  
Talvez o tom meio otimista da série, tenha contribuído pra essa sensação de desinteresse. Nada acontecendo, um grupo normal de adolescentes se enturmando com um cara novo, e uma carta misteriosa prevendo o futuro para a protagonista. De fato, é uma apresentação mediana. Não no sentido que o diretor fez escolhas erradas, pelo contrário. Foi uma boa condução. Acontece que a introdução do mangá já é assim. Tudo bem morno, sinalizando talvez o 'mais do mesmo'. No entanto tudo muda, no segundo capítulo, ou melhor, no segundo episódio.



Assim como um dia ensolarado, pode mudar de repente, para um dia nublado, Orange coloca algumas nuvens cinzas em cima do céu azul que foi sua estréia. Isso porque o clima feliz, meio misterioso, se dissipa entre revelações mais concretas sobre os personagens e o contexto da história. Agora Naho sabe que Kakeru sofrerá um acidente no futuro. Sabe também, que ele passou por uma situação delicada com a perda de sua mãe. Os outros personagens porém, ficarão em segundo plano. O episódio dois, aproxima mais o casal de personagens principais, colocando lado à lado, a insegurança de Naho, com o sentimento de Kakeru - ainda que de maneira bem tímida. 

Se no primeiro episódio eu senti falta da expressividade dos personagens, nesse, se mostrou bem mais abrangente. Quando digo expressividade, não quero dizer que eu gostaria que eles fossem mais enérgicos, fazendo poses e caretas. Não. Além de ficar fora da risca, não combina com Orange. Mas sim, gostaria de mais realismo em seus movimentos. Pra minha surpresa, o segundo episódio foi excelente nesse quesito. O brilho no olhar da protagonista, as mãos trêmulas ao entregar o almoço para o Kakeru, a insegurança estampada na cara. A dublagem também se mostrou poderosa,  e foram com certeza, o ponto chave do episódio. A voz calma e entristecida de Kakeru ao falar de sua vida, seu jeito calmo de dizer algumas palavras, trouxeram uma personalidade mais forte para ele. Igualmente para a Naho, agora fica muito mais fácil se colocar na pele dela, quando o seu timbre de voz e seu olhar revelam um pouco mais de suas preocupações mais intimas. Essas características fazem uma total diferença. E era exatamente isso que eu esperava, dentro de toda a simplicidade que é Orange.

O mesmo digo da animação, que embora use de imagens estáticas em diversos momentos, casou bem com a proposta que está sendo estabelecida. Congelando momentos, tirando fotos dos ambientes e de uma situação, o que poderia ser considerado um meio de escape para a falta de verba para uma animação cheia de fluídos, acaba sendo um tiro certeiro para realçar a beleza do que está sendo dito e feito. Resumindo: eu amei. Agora, toda aquela singeleza da animação mostrada no primeiro episódio, ganha mais força e sentido. 

Ainda falando do segundo episódio, é interessante notar também, o amadurecimento estando inserido bem subjetivamente ali. Naho aos seus 26 anos de idade no futuro, tentando impedir às escolhas erradas que fez em seu passado, como um simples gesto de fazer o almoço para o seu amigo. Só por este fato, já demonstra uma pessoa muito mais madura. O Suwa com um buque de flores juntamente com suas amigas, e o bebê de Naho, indo de encontro com ela para onde supostamente é onde Kakeru está esterrado, também reforçam o sentimento de todos ali. Todos sentem, o peso do arrependimento, de não ter demonstrado quem sabe, mais afeto ao amigo em vida. Em contrapartida, vemos o estado emocional alarmado de Naho em entregar apenas uma refeição para ele. O preparo espontâneo sendo notado pelos seus pais, também ilustra que a personagem está crescendo. Isso fica ainda mais nítido, quando ela consegue enfim entregar o almoço para ele. Eu nunca pensei que pudesse me arrepiar com uma cena tão corriqueira como essa. Foi emocionante, porque ao longo do episódio vemos o quanto é frustante ela não conseguir fazer uma coisa tão banal. Ver ela lutando consigo mesma, dando os primeiros passos à redenção, transmitindo seus sentimentos através da voz embargada, juntamente com seu gesto corporal inseguro, foi de uma delicadeza tremenda. Eu vibrei.

Foi interessante ver um episódio se arrastando sutilmente para um desfecho tão pessimista, se transbordar aos poucos em revelações cada vez mais importantes para o enredo, até chegar nos momentos finais pra causar um verdadeiro estrondo - narrativamente falando. Poderia ser o final do anime ali, se enrolasse um bocado no meio do caminho. Mas Orange mostra as consequências das escolhas. Isso que é o mais legal. É direto ao ponto.   
   




















O terceiro episódio, é o que mais tem cara de shoujo, visto o triangulo amoroso que se forma. Kakeru agora é cobiçado por outra garota, e Naho ainda não sabia que gostava de dele, até surgir essa situação. É muito legal ver ela lidando com a descoberta de uma paixão, mais ainda quando aquela pessoa mais confiante que estava se formando, desce ladeira à baixo, voltando a se sentir incapaz de extravasar seus sentimentos. 

Quando ela toma o suco de laranja que ganhou do Kakeru, é de cortar o coração. É o ápice da história. O momento que ela compara sua vida com o gosto daquele suco, revela a fragilidade da personagem, num grau que não consigo descrever. Diferente do segundo episódio onde ela luta para botar isso pra fora, e ao final, consegue, aqui ela está otimista - ainda que indiferente - mas na conclusão não consegue. Por mais que esses dois episódios tenham viradas opostas de atmosfera, os dois conseguem soar relevantes por justamente mostrar uma aversão diferente de estado de espírito. Ambos aproximam os personagem em escalas diferentes, porém com a mesma finalidade; revelar algo novo sobre eles. A verdade é que agora Naho é solitária e Kakeru um ser distante. Tudo o que ela achava que não era anteriormente.

Outro ponto interessante do episódio, foi o reencontro dos amigos no futuro. Cada um lendo sua carta do seu eu do passado, para então descobrir que Kakeru planejava não estar mais entre eles. Ou seja, ela sabia de seu acidente, o que significa um suicídio. Isso serviu, pra explicar um pouco mais as coisas, de que eles resolveram escrever uma carta para eles lerem para só quando mais velhos. Então, eles recebem as cartas vindo do futuro, porque eles resolveram fazer o mesmo que no passado, só que dessa vez contando que eles eram completos inocentes. Agora, como essas cartas do futuro vão parar no passado, é um mistério. De qualquer forma, amenizou um pouco das dúvidas.

Bom, pra finalizar, devo dizer que gostei mais do segundo episódio, e o que menos gostei foi o primeiro. Continuo bastante otimista com essa série, e espero a grandiosidade do mangá ganhando forma e cor nas próximas semanas.

Observação: Eu já falei do mangá aqui no blog, quando ainda nem tinha lido o final. Para ler, clica aqui.

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