domingo, 28 de agosto de 2016

A crítica social de ''ReLIFE'' salva o anime de ser mais do mesmo


Hoje é bate bola, jogo rápido.


Se tirar a crítica social de ReLIFE, não sobra nada. O ponto forte da obra é isto; tocar o dedo na ferida. Entende-la como ela se forma, e o quão doloroso é conviver com ela todos os dias. Apesar do anime recentemente lançado ter cobrido apenas 100 capítulos do mangá (já que ainda está em andamento), ReLIFE termina o ponto principal levantado pela série, mas não mostra o desfecho em si. O que abre brechas para uma segunda temporada futura, mesmo que o último episódio tenha confortado a dor de se carregar uma cicatriz.

Para você que não sabe do que estou falando, ReLIFE é um anime de 13 episódios do estúdio TMS Entertainment, dirigido pelo Tomochi Kosaka. Conta a história do Arata Kaizaki, um homem de 27 anos que está desempregado. Após ter se demitido do seu antigo emprego com apenas 3 messes de trabalho, Kaisaki se vê sobrevivendo em trabalhos de meio período, porém, constantemente precisa ficar ligando pra sua mãe pedindo mais dinheiro. Num dia qualquer, o destino de Kaizaki foi mudado ao encontrar o Ryo Yoake, ao receber uma proposta de emprego bastante inusitada. Ele terá que testar um remédio que lhe deixará 10 anos mais jovem, e voltar para a escola como estudante. Caso Kaizaki faça isso, ele terá todas as suas despesas pagas por essa empresa durante 1 ano, E dependendo do rumo das coisas, há possibilidade deles arranjaram um emprego fixo para ele.

Diferente do experimento do mangá Homunculus, ReLIFE não é um projeto macabro que vai ''desgraçar'' a vida do protagonista. Pelo contrário. A intenção ali é ajudá-lo a corrigir as coisas do passado, dando-lhe uma segunda chance. Mas ao contrário do que pode parecer, ReLIFE não é um anime complexo, cheio de camadas pra se sentir filosófico ao questionar a sociedade. Não! É um anime leve, muitas vezes divertido e engraçado. Tem o drama e o romance, mas tudo abordado de maneira muito sutil. Outra característica forte, é o desenvolvimento de personagens. Todos os secundários contribuem com a mensagem principal da série, dando assim, um revezamento quase que inacreditável para o protagonismo do anime. Não é só de uma pessoa que se faz uma boa crítica, não é verdade? Afinal, seria uma coisa inválida, olhar o problema através de um só olhar. ReLIFE acerta em cheio ao dar voz para todos.


A proposta da obra é muito interessante, e embora a crítica social esteja mais em segundo plano - o que não chega a ser um defeito - é legal acompanhar a interação entre eles, a insegurança particular de cada um. Essas coisas típicas de adolescentes; dificuldade de fazer amigos, os ciumes por alguém ter conquistado algo que você gostaria, a descoberta de uma paixão, são algumas das coisas bobas que são esmagadas com o flashback do Arata por exemplo, ao mostrar a realidade de uma empresa que explora seus funcionários de maneira desumana. Durante o anime eu me diverti com os personagens, sofri junto com seus dilemas e etc, afinal, é impossível não se sentir na pele daquelas pessoas, cada um possui uma particularidade identificável ali. No entanto, eu gostei de quando àquela sensação de ''tranquilidade'' se dissipa com o clima sombrio da vida adulta de um estabelecimento precário como foi o flashback do penúltimo episódio se não me engano. É um choque de realidade muito bacana, e mesmo que Relife passe a maior parte do seu tempo entre situações engraçadas e dramas ''açucarados'', ele se torna pesado quando toca na ferida/ponto principal da história. Porém, isso não tira, o mérito da obra de ser um bom slice of life de drama juvenil.

Outra coisa elogiável em ReLife foi a direção do Tomochi Kosaka, que apesar de ser um diretor até então inexperiente, conseguiu adaptar bastante coisa do mangá na minha opinião. A equipe de produção de TMS Entertainment não é maravilhosa, mas não é um problema gritante. A trilha sonora na teoria soa criativa, só que na pratica não empolga.  Pelo contrário, em certas horas dava um baita sono. Ficou esquisito. No geral, a animação é mediana no fim das contas.


Eu não sei você, mas ultimamente eu estou sem paciência pra animes mais do mesmo. O tempo é escasso, e a gente tem que escolher bem o que for assistir pra não se arrepender. Felizmente, esse anime me surpreender de forma positiva, e mesmo que aparente ser uma história bobinha, ele tem muito à dizer não só sobre os jovens, mas também sobre a fase adulta (que inclusive já debati aqui no blog alguns pontos que se encaixam perfeitamente com a temática de ReLIFE, como o trabalho excessivo no Japão). Por isso, recomendo ReLIFE não só por ter um ponto de relevância, mas também por fazer bem o seu ''feijão com arroz''. Pra quem tá cansado de histórias vazias, esse anime pode matar um pouco sua fome, de forma divertida e carismática - embora não de maneira triunfal.

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