segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Shigurui (2007) - O bom poderia ser sensacional


SANGUE SANGUE SANGUE! Não recomendado para novinhos e novinhas.


Eu gosto muito quando me recomendam alguma coisa pra resenhar no blog, e mais ainda, quando justificam o porquê para isso, de um jeito que fica impossível dizer não. No caso de hoje, vou atender o pedido do Jonatas, que foi bastante educado e convincente ao me recomendar o anime Shigurui. Antes de mais nada, peço desculpas publicamente para ele por demorar tanto tempo para fazer esse post, infelizmente, a vida me impossibilitou de escrever antes. Estava com muitos animes atrasados, e estava fissurada em terminar de uma vez por todas logo, como foi o caso dos animes da temporada passada entre outros, além de estar recentemente sem tempo pra sentar e escrever com calma. Pois bem. Deixo aqui juntamente com o meu pedido de desculpas o meu muito obrigado pela sugestão. 
PS: Eu acho que ele nem está esperando essa postagem mais, já que se passaram uns três meses, mas fica aqui a prova que essa redatora de meia tigela tarda mais não falha, hehehe. 

Eu deixei printado o e-mail dele ali em cima para encorajar minha tripulação de leitores à fazer o mesmo. Não fique com vergonha, me mande um e-mail me sugerindo algo; um anime, mangá ou até mesmo filme, enfim, qualquer coisa. Pode mandar até anonimamente. Eu realmente anoto o que me falam, e não esqueço (Ultimamente estou com mais tempo, então, aproveita e manda brasa!) Me sinto muito feliz e especial quando chega esses telegramas eletrônicos ♥. Então, clica aqui para mandar a sua cartinha internética, e faça essa criança feliz você também!


Uma boa história não pode perder o foco. Assim como um ônibus pode, deve e provavelmente vai parar inúmeras vezes durante o caminho, seja pra pegar mais gente, se livrar de outras ou apenas para abastecer o veículo, ele precisa traçar uma rota que o levará em segurança e sem imprevistos até o destino almejado, caso contrário, ele se perde no trajeto, e as pessoas que ali estão, terão perdidos seus compromissos e assim por diante. Pois bem. Essa é a sensação que tive ao assistir Shigurui. Eu não li o mangá, mas apesar do anime ter adaptado (acredito eu) metade dos 15 volumes,  ainda sim, tive um sentimento de alívio por ter chegado no destino combinado, depois de passar por pequenas estradas esburacadas, e parado em lugares inóspitos e degradantes. 

Shigurui se inicia no Japão de 1629, no governo do Shogun Tokugawa Iemitsu, em meio a um torneio realizado pelo seu irmão mais novo, Tokugawa Tadanaga. Nele os espadachins não usariam suas espadas de madeira (Bokken) mas sim espadas tradicionais. A narrativa começa com a primeira luta entre Fujiki Gennosuke, que não possui um braço e Irako Seigen que é cego. Ambos são rivais de um passado sombrio, cheio de traições, invejas e disputas pela hierarquia entre o clã Kogan. Com essa premissa, começa a história, contada de maneira incrível e não linear.

O mangá é escrito e ilustrado por Takayuki Yamaguchi, baseado no conto de Norio Nanjo, Suruga-jo Gozen Jiai. Em 2007, o estúdio Madhouse adaptou uma parte do mangá em 12 episódios com a direção do Hirotsugu Hamazaki, e o roteiro de Seishi Minakami.






















O anime de Shigurui (bem como o mangá) não é recomendado para pessoas sensíveis, que se abalam facilmente com um simples sangue jorrando na tela. Também acho que ele não é recomendado para as pessoas que gostam do puro gore, (esse é mais para o anime) já que uma cabeça sendo decepada talvez não seja tão chocante para quem já está familiarizado com a violência, porque no anime isso nem acontece com tanta frequência, além de que, não existe tanto aprofundamento nisso. Tipo, as pessoas que morrem de maneira brutal não são grandes personagens, são apenas escadas pra enaltecer quem está praticando tal ato. Como os dois samurais principais, Irako e Fugiki. De toda maneira, Shigurui não se trata de uma obra prima da temática samurai, mas sem dúvida, é uma boa série que tenta na medida do possível explorar seus personagens, e acima de tudo, não esquece da raiz da questão mostrada no primeiro episódio; uma história sombria que revela o verdadeiro poder de carregar uma espada, e o que significa ser um samurai na realidade.

E falando em realidade, uma coisa que gostei muito na narrativa da história foi apresentar à época em que está sendo contada de maneira verídica, de modo que a fantasia ficasse observando de longe as coisas acontecerem. Porém, isto não quer dizer que não exista um pouco de surrealidade ali, já que a risca não-linear de alguns episódios abre espaço para que a ilusão embaralhe nossa mente. Um exemplo disso são alguns confrontos, onde quem estava perdendo, em questão de minutos, começa a ganhar, demonstrando assim que tal pessoa não estava na realidade perdendo, mas sim, imaginando sua derrota ali no meio da luta. Por isso, Shigurui têm bastante dessas pegadinhas, porque o que você achava que estava acontecendo na verdade, era ao contrário e vice-versa. É uma série fácil de se perder, no entanto, quando você descobre um pouco mais sobre ela, tudo ganha outro sentido, fazendo assim ser uma experiencia estranha.

Outro ponto para se destacar que dependendo do modo de vista, pode ser tanto um empecilho como uma qualidade é a falta de ritmo. Pra mim, isso chega a incomodar em algumas horas, como no episódio sete, oito e nove, que são bem chatos. Já o dez e onze, são medianos, no entanto, não empolga. Sorte que a adrenalina volta no último episódio; não pra fechar a história como deveria -afinal termina em aberto - mas sim pra reabastecer a chama que foi acesa nos primeiros episódios, que é o estilo de vida do samurai, do jeito sanguinolento e grotesco como foi apresentado. Se não fosse por isso, apenas seis dos doze episódios seriam de fato bons. Talvez o mangá seja de fato tudo isso que dizem, já que lá existe espaço pra desenvolver bem cada aspecto, além de poder ter a chance de um final digno, mas o anime, tinha tudo pra dar certo, do nível ser uma das obras mais memoráveis dos últimos anos, mas não. Só é mais ou menos. Se tivéssemos uma continuação, talvez as coisas seriam melhores.

Voltando ao que eu ia dizendo, a falta de ritmo pode ser um aliado como um grande vilão da narrativa da história, existem séries que através disso ressaltam a realidade da trama, abre brechas para outras questões e etc, já em outras, não servem para nada, a não ser atrasar os finalmente. Em Shigurui, na maior parte embeleza a veracidade do contexto histórico e tudo mais, entretanto em outros fica aquela coisa monótona já que o roteiro não está ajudando muito. Torna sim, episódios que poderiam ser bons em mornos, mas a culpa disso tudo não é de fato da calmaria do ritmo, mas sim do roteiro que fizeram ao adaptar o mangá pras telas. Culpem o Seishi Minakami.

Outra coisa, se você for assistir Shigurui tendo em mente ver só gore do pesadão o tempo todo, como mutilações, estupro entre outras, pode tirar seu cavalinho da chuva. Pelo menos no anime, as coisas não são bem assim. Apesar de conter essas coisas sim em todo episódio, principalmente corpos sendo fatiados, o passo calmo da série ajuda a criar momentos de reflexão. Por isso, não espere berros exagerados do começo ao fim por exemplo, porque o foco não está no ato em si. Ou seja, não tem violência gratuita. Existe uma motivação por trás dos acontecimentos trágicos e desumanos, e essa, leva até o espírito ''sangue-frio'' dos samurais. Por isso, podem acusar o anime de Shigurui de qualquer coisa, menos de não fazer jus ao tema.

acho que uma parte da sua cabeça está fora do seu corpo moça o.o


Os detalhes técnicos do estúdio Madhouse para com esse anime, é de uma coisa a se elogiar. Aqui a simplicidade impera, basta reparar na abertura, que é apenas instrumental, com riscos vermelhos e os nomes da produção. O mesmo se diz do encerramento, que não faz questão de ser extravagante. Pelo contrário, é o mais simples possível. Isso também ajuda na seriedade que a história quer passar. A trilha sonora também não fica por baixo, ela brilha ao dar enfase no sentimento dos personagens, e ressalta sempre o espírito cultural da coisa, seja apenas no som instrumental meio folclórico, como no uso do coral de vozes, dando desta maneira, um clima bastante histórico pra trama. A animação em si, flui bem, nada muito sensacional como também nada muito ruim, a escolha da paleta de cores escuras, é uma boa pedida para o clima pesado. Alias, existem certas cenas que chega a ser tão escura que mal dá pra ver o que está acontecendo, eu tinha que virar a cabeça mais para o lado ou para cima pra tentar ver o que estava se passando. Apesar disso, não chega a ser um problema gritante.

Por fim, o que define minha experiencia é que o bom poderia ser sensacional. Gosto da abordagem, da maneira como é contado as pequenas reviravoltas, da animação, do tom sério, e principalmente de como o espírito samurai da série está impregnado, e tratado com verdade. Ainda sim, faltou alguma coisa que não sei bem o que é. Por a série ter ido até o episódio 12, terminando quase na metade do mangá, também implica o sentimento de insatisfação. Mas sei que isso não justifica quase metade desses 12 ser desinteressante. É uma obra válida, mas se quiser uma história marcante mesmo, talvez o melhor caminho seja o mangá. Porque o anime não merece assim tantos elogios.

Nota:7.0/10
 



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