quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Dark Metrô (2008) - O Universo Tortuoso do Desespero


Cuidado com os Metrôs hein!


  Imagine você voltando de boa pra sua casa á noite, ao tomar a última viagem de metrô antes da hora de encerramento, e de repente tudo em sua volta se torna mais assombroso e escuro. Almas agonizantes circulam ao seu redor. O inferno está em sua volta e você está no meio ás suas criaturas. Bem vindo ao mundo de horror e medo de '' Dark Metrô'', lançado na NewPOP, com roteiro de Tokyo Calen e arte de Yoshiken - ambos vencedores de diversos prêmios no Japão .

 A história de Dark Metrô é centrado num homem misterioso chamado Seiya Yomi, que após a sua trágica morte recebeu o dever de salvar os inocentes passageiros das tenebrosas linhas de metrô da cidade de Tóquio. Quando os portões dos terminais são fechados, é aberto uma espécie de vácuo infernal entre o mundo dos mortos e o mundo dos vivos. Dessa maneira, Seiya surge como uma figura discreta em meio os demônios que perambulam pelos metrôs e que fazem suas vítimas entre os inocentes que cruzam seu caminho.



 Misturando ícones típicos do horror e suspense oriental, que se tornam famosos mundo afora graças aos quadrinhos e filmes (The Ring: O Chamado é um dos melhores exemplos que eu poderia citar), Dark Metrô é apresentado de forma inicialmente episódica, narrando pequenas situações que têm em comum o ambiente onde se passa. A obra em quadrinhos é narrada em capítulos onde o leitor é apresentado a certo personagem cuja vida é mudada drasticamente após uma amaldiçoada passagem nos escuros túneis de metrô da cidade de Tóquio.

 O mais horripilante não são as assombrações, mas a própria selvageria humana. A cada novo capítulo somos tragados a diferentes pessoas, histórias de vida pessoais, vícios e até mesmo virtudes que as credenciarão as vítimas dos seres abismais que perambulam pelo mundo dos mortos.

 Além do clima, Dark Metrô possui outro ícone comum a todos os seus capítulos: Seiya Yomi, o misterioso personagem principal que ajuda alguns humanos a escapar de uma morte quase certa nas mãos das criaturas que habitam o metrô - assim como colabora para que alguns espíritos tenham sua vingança quando a mesquinhez humana os empurrou  para seu destino em meio ás sombras e sofrimento. Curiosamente, o sobrenome do personagem principal (Yomi) faz alusão ao mundo dos mortos da mitologia japonesa. Desta maneira, trilhos de túneis funcionam como verdadeiros Yomis: ao cair da noite, o local até então remoto dá lugar a um mundo habitado por criaturas imundas e melancólicas, um purgatório que se interpola ao mundo dos vivos, para onde as almas são mandadas para sofrer antes do julgamento final.




 É notável perceber como a cultura japonesa se tornou uma arma tão poderosa e influente no horror dos dias atuais: souberam usar os medos culturalmente arraigados e seu próprio acervo de crenças para se valer de base para contos de ameaça, punição, medo, violência.

 Se Seiya já carrega em seu próprio nome grandes significados, sua vida é total mistério. Neste ponto a obra pode ser definida como análogo masculino (e portanto sem boys love, para alegria de alguns) ao mangá coreano Tarot Café, de Sang Sung Park, também lançado no Brasil pela editora NewPOP. Ambos os protagonistas são uma espécie de personagens catalisadores para a exposição dos dramas de um elenco rotativo, com poderes místicos acima dos meros mortais, mas os motivos que os levaram  a tal  papel são um incógnita a ser desvendada. E isso acaba por se tornar um ponto positivo para a obra: é necessário que a história gire em torno de uma dúvida central, para manter o interessante até o final da série.

 No universo dos quadrinhos japoneses é possível perceber o fascínio dos autores por temas sobrenaturais, algo que diz respeito diretamente á cultura local. Obras como Death Note, Yu Yu Hakusho e Bleach são alguns dos melhores exemplos em que se nota uma série de referências ao conceito oriental de morte- como ''shinigamis'' (os ceifadores de almas) ou ''youmas'' (as criaturas fantasmagóricas). Dark Metrô, entretanto, não se prende a esterótipos tão óbvios ao leitor calejado - a obra se vale de sua narrativa simples e eficiente para segurar o leitor por meio de acontecimentos que, em carreata, podem mudar radicalmente o rumo de um personagem. A estrutura episódica também colabora para a sensação de eficiência de texto. Ao invés do leitor ter que se prender a trama sem fim, que quanto mais complexas, mais podem se tornar confusas, os autores nos apresentam uma trama mais linear, efetiva e até amigável para quem começa de volumes posteriores. Dark Metrô funciona de forma balanceada a casa episódio, mas o encadeamento do conjunto recompensa aqueles que buscam uma história maior dentro desse todo.




 O mangá se trata de uma produção bem feita, um pacote de entretenimento surpreendentemente apertada com histórias levemente rápidas e limpas, cenários descomplicados que atingem o bom equilíbrio entre a atmosfera e os acontecimentos. 

 Dark Metrô foi lançado pela Tokyopop e por causa disso há pessoas que acredita que se trata de um mangá produzido fora do Japão, pois o fato é que a Tokyopop prioriza os EUA, porém posso afirmar que não se trata de um mangá dissimulado pois foi lançado primeiramente no Japão.

 Vale a pena a leitura, pois além de ser incrivelmente influenciado por diversos filmes e obras do gênero tem uma leveza própria, uma arte bem direta e simples, sem esquecer que é equilibrada com o ritmo dos acontecimentos o que já chega a ser um ponto a mais.


Fonte: Wikipedia, Neo Tokyo, Nerd.Geek.Otaku.
Onde ler em inglês: Manga Park.

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