quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Resenhando Homunculus (2003-2011)


E se de repente você começasse a enxergar o mundo de um jeito bem psíquico? *o*



   Hoje falarei de um mangá psicótico extremamente anormal. Cheia de suspense e com uma característica de total relevância: a insanidade. Enxergue as pessoas com outros olhos você também!

Informações técnicas

   Homunculos é  escrito e desenhado por Hideo Yamamoto. No Japão foi serializado pela Big Comic Spirits totalizando 15 volumes em 2011. No Brasil foi lançado pela Panini Comics em 2009.  O mangá tem uma dose de Suspense sobrenatural bem engajada no estilo Seinen.

Sinopse

  Nakoshi tem 34 anos, ele é um sujeito que mora em seu carro numa rua entre um hotel luxuoso e um parque que serve de abrigo para pessoas sem-teto. Num dia qualquer, ele recebe um convite para fazer parte de uma experiência, mas no primeiro momento ele recusa. Após ficar sem gasolina e ter seu carro guinchado ele resolve participar de tal experiência pelo dinheiro, sem saber que ali estará algo que mudará completamente sua vida.

Resenha

  Sei que parece clichê porém não posso deixar de falar que este é um mangá diferente de tudo que você já viu. É diferente não por inovar no mercado de mangás um gênero novo, mais sim por apresentar uma proposta nova de contar sua história. Homunculus mostra surpreendentemente desde o início uma pegada nova de contar o outro lado do Japão, e ainda demonstra um forte apelo ao suspense, isso tudo sem deixar o leitor cair no sono. 
 Nakoshi é um rapaz que mora dentro do seu carro e vive em um parque com alguns outros sem-teto. Diferente dos moradores de rua no Brasil, os sem-tetos japoneses moram em parques não porque querem se apropriar daquele terreno, mais porque perderam seus empregos por causa da crise japonesa e se uniram aos mendigos para morar em parques com barracas de acampamento.
 Nakoshi é um cara totalmente despreocupado e desleixado, mais ninguém no parque entende seus motivos pela qual o levou a morar em seu carro vestido num terno. Num certo dia ele recebe uma proposta curiosa de um rapaz chamado Ito Manabu para fazer um experimento científico. E nesse experimento consiste de uma abertura no crânio denominada Trepanação, o grande objetivo deste ato é alterar a pressão craniana com o intuito de despertar o sexto-sentido e assim aumentar a quantidade de percepção de tudo que acontece em sua volta. Obviamente Nakoshi recusa o convite, mais depois cai em si que precisa de dinheiro para resgatar seu carro guinchado, e acaba procurando Ito para aceitar a proposta da experiência. Depois da cirurgia ele passa por vários testes e percebe então que ao fechar um dos olhos ele consegue enxergar as pessoas em sua volta de uma forma estranha.



  Homunculus possui personagens bem realistas e expressivos. Tem uma história que se desenrola facilmente dando assim asas pras questões psicológicas de uma maneira super interessante de ler. Não estou se tratando de um mangá sobrecarregado de informações ou algo monótono, pois em nenhum momento ele deixa isso amostra até porque esta não é a sua característica. Tudo flui nítido, muito bem explicado. Homunculus também não possui um festival de personagens, mais os poucos que tem são essenciais e o suficiente para a trama girar. Nakoshi no início é um cara egoísta e avoado, mais no desenrolar dos fatos mostra grande maturidade, demostrando consequentemente que é digno de carregar a história e fazer as coisas acontecerem. Já o Ito tem um passado intrigante, um filhinho de papai  que quer provar que tudo que acontece no mundo tem uma explicação científica, tem aparência de um músico de j-rock com elementos do Visual Kei, que por sinal são bem interessante para um doutor.
 O contexto paranormal é um dos grandes atrativos da série, talvez seja esse o grande ponto chave do mangá que dá vida a história, e dá força pra que o enredo ganhe credibilidade, resistência. Tem alguns momentos que essa 'paranormalia' precisa de uma breve interpretação já em outros está mais claro, o que a torna tão atrativa pois o autor da um espaço para as pessoas pensarem ao invés de jogar na cara o tempo todo o porque dos fatos, e da bizarrice ali contida. 
 Os Humunculus ali retratados possui uma aparência criativa e bem fora do comum, deixando dessa forma a psicanálise bem elaborada.
 E como todo mangá não vive só de história, Humunculus possui uma arte bonita. Riscos, detalhes, cenários, personagens num enquadramento bem aprimorado, o que é meio de se espantar pois o mangaká Yamamoto dá uma evoluída se for comparado com seu trabalho anterior.



  Posso dizer que Homunculus é um título autêntico e único. O mangá evoluí em cada volume e o conteúdo fica extremamente forte, por isso é aconselhável para maiores de 18 anos. A personificação abstrata surpreende cada vez mais, aumentando assim a expectativa de quem o lê. O interessante do autor ter como base esse conceito é que ele pode usufruir da psicanálise de todas as formas possíveis, pode reinventar e criar a aberração que quiser, o mangá não se prende, não se fecha, porque o mangaká tem uma liberdade de dar a volta por cima  depois de qualquer arco fracassado. Esse é um ponto super positivo pois foi dessa maneira que o mangá finalizou. Passando um pouco mais da metade da história o ritmo de Homunculus fica um tanto que ''forçada'' ou ''exagerada'', entretanto o mangá encerrou brilhantemente, enterrando assim consigo todas as possíveis frustrações. Ou seja, a base da história deu o poder ao autor de usufruir e se reinventar em cada detalhe, em cada aspecto.
  É importante ressaltar também, que o autor raramente poupará o leitor do desagradável ou deixará as cenas encobertas. Por mais grotesco que as coisas se tornem, ele jamais vai parar por ai, pois ele retrata com detalhes certas cenas nojentas (principalmente as de sexo explícito) .... Eca!
  Homunculus é o típico mangá que dá ao público a capacidade de se colocar no lugar de seus personagens. Eu acho fascinante mangás com essa aptidão! Eu sempre vou defender aqueles que possuem essa característica pois pra mim é isso que dá vida a história. Em vários momentos eu senti como se estivesse no lugar de Nakoshi, vendo como se estivesse na função dele. Isso traz uma eficácia grandiosa pro mangá como um todo, esta imersão traz um crédito imenso até porque eu sentia a mesma pressão do momento em que ele ali sentia (não levem na malícia, lol).



Conclusão
   
 A linguagem própria do mangá despertou em mim uma conclusão e uma absorção da história, e acho que vou encerrar este post compartilhando esta ideia com vocês. Homunculus nada mais é do que uma análise da sociedade, de um olhar crítico da aparência das pessoas. A personalidade e a aparência se juntaram ao instinto incomum impossibilitando assim o comprimento da superfície a ser vista a olho nu. Queremos que as pessoas olhem pra nós, mais não podemos olhar para as pessoas. Nakoshi é um exemplo disso, retratou perfeitamente uma questão que muitas vezes esta esquecida e ignorada, que é o egoísmo e a forma que quer ser visto pelas pessoas, e a maneira pela qual você não quer ver as coisas em sua volta.
  O mangá tem seus autos e baixos sim porém ele recupera todo o vigor no último volume, recuperando sua força, seu brilho. É uma obra que beira a surrealismo e simbolismo, impactante pela abordagem e pelo fluir dos fatos. É uma leitura que vale um voto de confiança pois ele surpreende, e de prende de forma absurda. Um mangá que transborda a loucura da mente, da imaginação. Em certos momentos traz consigo aquele ar de mente doentia, o nível pode dar uma desacelerada em algum entretempo mais acaba recuperando  o fôlego quando menos se espera, o que a torna bem fascinante. Aos fãs do subjetivismo e do surrealismo psicótico ta aí uma leitura perfeita para você!



Extras: Para quem lê em japonês ou em inglês, basta ler o post do Nintakun no blog Mangás Cult que vocês encontraram os links para baixar.

Um comentário:

  1. Tentei ler este mangá duas vezes no passado, mas ele constantemente me assombrava com algumas matérias de psicologia que eu havia estudado por conta própria.
    É perturbador, instigante e seriamente maluco.
    Tem um ritmo interessante, mas na época minha mente não estava totalmente preparada e acabou caindo no limbo de minhas obras para leitura.
    Mas agradeço por me lembrar da existência dessa excelente obra. Voltarei a leitura da mesma o mais breve possível.

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