sexta-feira, 5 de setembro de 2014

O Novelão Exagerado de Kimi ni Todoke


Shoujo na Nabe? Sim isso mesmo. Você não esta tendo uma alucinação e nem está em um universo paralelo. Mas só para garantir, belisque-se a si mesmo. hehehe...


Sawako Kuronuma, é uma colegial que vive sendo chamada de Sadako - personagem do Filme “O Chamado” - por causa do seu nome e aparência. Apesar disso, Sawako quer apenas se socializar com os colegas de classe, mas todos tem medo dela, e por conta disso acaba não conseguindo se enturmar com outras pessoas. Mesmo sendo tão solitária, Sawako consegue manter o otimismo e seguir em frente. 

Porém tudo muda ao conhecer um garoto chamado Shouta Kazehaya - que ao contrário dela, é bastante popular e se dá bem com todo mundo. Aos poucos ela vai conseguindo driblar muitos dos seus obstáculos pessoais, e a relação com o Kazehaya faz despertar um sentimento recíproco, que nunca havia vivenciado antes. Cada vez que ela conhece mais os que estão a sua volta, mais conhece a si mesma e aos seus sentimentos adormecidos.

Kimi ni Todoke era pra ser apenas um one-shot que antecederia uma outra obra da autora Karuho Shiina, Crazy for you, mas acabou que se transformando em uma série completa. O mangá tem sido publicado pela editora Shueisha na revista Bessatsu Margaret desde 2006 e foi reunido em 9 tankōbons em setembro de 2009. A história recebeu adaptações para Light Novel pela mesma editora com autoria de Kanae Shimokawa. Foram feitas duas adaptações de anime no Japão, produzidas pela Production IG, a primeira com 25 episódios, e a outra com 12. No início de 2011, o mangá foi anunciado pela Panini, e começou a ser publicado no Brasil. Kimi ni todoke também recebeu uma adaptação live action, e também ganhou o prêmio de melhor shoujo no 32º Prêmio de Mangá Kōdansha e foi nomeado no Manga Taishō em 2008.
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Antes de mais nada, deixo bem claro: Eu gosto de um bom novelão. Eu gosto de exageros. Eu gosto de romances. Gosto de shoujos, mesmo tendo lido e visto bem menos do que gostaria. Não é meu gênero favorito obviamente, ainda sim, nunca vou encarar com um olhar de horror. E pode ter certeza, se tem alguém no mundo que entende perfeitamente os sentimentos reprimidos de uma garota que parece a Sadako, com certeza essa pessoa seria eu. Até porque, na minha pré-adolescência eu era um POUCO desse jeito. Assim como é na série, como também na vida real, tudo que é exacerbado faz mal. Tem que haver um equilíbrio. Um meio termo. Se o romance é exagerado, não tem por que a enrolação ser compatível. As coisas não casam, e casamento é essencial em um shoujo. Mas calma que já chego lá.



Kimi ni Todoke tem uma história boba. A ideia central até soa muito bem aos meus ouvidos, inclusive, os personagens centrais sabem conduzir bem o roteiro, porém, os detalhes cruciais que traçam suas personalidades está mal contado. Sawako é a garota tímida, que sofre de isolamento só por causa do SEU CABELO. Mano ... CA-BE-LO. Ela sempre tenta ser gentil com todo mundo, mas por causa de sua aparência, toda a gentileza vai pro ralo. Eu sei muito bem que o cabelo, assim como a roupa que a gente veste, diz muito sobre nós, e também sobre o que queremos passar para os outros. Eu sei também que é difícil criar uma amizade com quem tem a cara fechada, e ainda mais se essa pessoa parece um personagem de um filme de terror, como é o caso da Samara do filme ''O chamado''. Ainda sim, seus motivos de início não me convencem. E o mais irônico de tudo é saber que a Sawako tem consciência do que os impedem de se relacionarem, e não faz nada pra mudar isso, a não ser tentar puxar assunto - só que essa não é a raiz do problema. Então cadê a lógica? não tem. Mas muda alguma coisa? não. Até porque Sawako ao longo da história vai evoluindo, e o problema acaba sendo ela mesma, e não os outros. O modo como lida com os seus sentimentos em relação á tudo, é o grande X da questão. É um aprendizado de comportamento. O jeito que lida com eles. E isso pra mim soa mais convincente como trama central. Prefiro ficar com essa versão de sinopse, é uma linguagem mais universal. 

Bom, já Kazehaya é o clichêzão, o tipico garoto bonito que tem muitos amigos, sonho de consumo de todas as meninas. Até aí nada demais. O ''inusitado'' é o romance até então não declarado que nasce entre eles, por motivo ''fofo''. Ah, e claro, o novelão exagerado. Como disse antes, eu gosto de um novelão, como também de exageros. Mas não acredito numa união perfeita entre eles. O relacionamento dos dois é muito arrastado, é do tipo ''muito recheio e pouco bolo''. Creio que a autora Karuho Shiina tenha optado por esse formato pra priorizar os detalhes, os pensamentos, os anseios, os temores, e todas as demais sensações de um adolescente inseguro com o amor, e claro, ter um emprego fixo - já que ela vinha há um bom tempo fazendo muitas obras (romances) de 1 volume só, tirando o Crazy for You, que tem 6 volumes, mas enfim - tenho a sensação que a história dava/dá dois passos pra frente e três pra trás. E isso não é saudável.





Disse e repito: a história é boba, mas não significa que seja algo ruim, ainda mais se tratando de um shoujo, - já que o gênero exige simplicidade, e acessibilidade. Só que, Kimi ni Todoke é tão bobo, mais tão bobo, que eu me senti uma boba assistindo. Isso tudo por que? porque a gente se identifica com a bobice. As caras e bocas dos personagens contribuem ainda mais pra que isso ocorra. É simplesmente hilário suas faces caricatas surgindo num momento as vezes inesperado, reforça ainda mais o meu pensamento de que; Kimi ni Todoke é uma história sobre reações. Mas não dessas caricatas especificamente, mas sim daquelas situações consideradas ''embaraçosas'', em que é revelado o verdadeiro eu de cada um, por não saber exatamente como lidar com aquilo. Sendo mostrado num tom cômico ou de forma mais dramática, em foma de pensamento debochado de si mesmo ou numa frase mal expressada, através de uma série de mal-entendidos e conversas mal interpretadas, os dois lutam para transmitir os seus sentimentos, com medo do resultado e de expor claramente as suas emoções, mas (ainda) desesperadamente, desejando de alguma forma alcançar o outro. Eu gosto desse desencontro de reações, mesmo a autora usando e abusando desse artifício de todas as formas (até dizer chega), ainda sim, é uma das características que mais prezo.

( ͡° ͜ʖ ͡°)

A relação entre eles também é muito boa. Assim como os seus diálogos. Sempre há uma grande brecha para o assunto continuar, e continuar, sem data pra acabar. E é o que na realidade acontece. Irrita? sim, irrita. Porém, nada me irrita mais do que a própria Sawako. Ô menina ingênua. Dá vontade de dar uns tabefes nela pra ver se acorda. Não é possível que sua crença inabalável nas pessoas apresente um pingo de verdade, até porque isso é um exagero sem tamanho, não existe isso na vida real. Eu sei muito bem que estamos se tratando de alguém que esta aprendendo a lidar com seus sentimentos em relação as pessoas, mas por favor né. Depois dos rumores, do afastamento de suas recém ''melhores amigas'', como não perceber o que acontece em sua volta, logo ela que é alguém observadora, quieta, que presta atenção nos seus colegas, e que até se sacrifica nas tarefas de classe no lugar dos outros? Como não perceber os olhares estranhos - mais piores de que de costume? Aff, alguém dá uma sacudida nessa garota PELO AMOR DE DEUS.


Mas eu acredito que a ingenuidade da protagonista seja pra justificar o clima novelão da série. Então, até dá pra ignorar um pouco a lógica, ainda mais quando somos recompensados com suas atitudes ''Guti, Guti''. Na mesma hora em que sua distração me irrita, seu comportamento em relação ao dizer o que pensa,  são reconfortantes. Se confrontar, contradizer seus costumes - mesmo que em passos de tartaruga - causa uma pequena explosão de mente. Um orgasminho. Na hora em que ela esta no banheiro e diz com todas as letras o que pensa, principalmente no momento em que  Yano e Chizuru chegam ao local, sem sombra de dúvidas, é um dos momentos mais memoráveis. Uma pequena lagriminha veio junto com um sorrisinho bobo, logo após aquela sensação de descontentamento que eu estava tendo em relação á ela. E é nessa montanha russa de primeiras impressões que eu defino minha simpatia por Sawako. Apesar dos apesares, no fundo, ela é uma boa pessoa.

E falando em personagens, eu não poderia deixar de falar dos demais, como é o caso da Yano, Chizuru, e do Pin, que completa o grupinho de amigos da Sawako. Eu adoro essa dinâmica de personalidades, e o jeito como se relacionam. E eis aqui uma coisa que não é tão lenta em Kimi ni Todoke; a amizade entre elas. Muito pelo contrário, quanto mais a história ''avança'', mais elas ficam próximas a sua maneira, desabrochando uma relação amável e natural, que completa um trio perfeito. Pin também é outro cara que acrescenta bastante personalidade ao elenco, já que ele cresce na história gradativamente, e fica impossível não gostar dele.  Kurumi, a rival da Sawako, é outra que cumpre bem o seu papel ali, e faz realmente com que eu ache ela uma ordináááária. 























Se tinha uma coisa que me encantei logo no inicio em Kimi ni Todoke, com certeza é a arte, não sei porque. O anime também reforça essa questão. A luz, as cores, os contra-tons quente - frio, as paisagens por onde passam, dá um clima estritamente muito gostoso na série. Aquela sensação de coisa delicada no ar. Coisa sincera. As emoções de cada um é representado muito bem, tanto no anime, como no mangá, ambos fazem um conjunto de primeira. Por mim, a história pode ser arrastada o quanto quiser, se a arte do negócio se manter, tá tudo certo. 

E só pra concluir meu pensamento no início da postagem; Sim, Kimi ni Todoke é um novelão, e é exagerado. Não acho que esse seja o casamento perfeito na série, mesmo eu gostando de um bom novelão e um bom exagero. A mistura entre eles resulta em muitos dramas que não eram pra estar ali. A história é boba e clichê, mas confesso que não tem como não se hipnotizar. Ah e os personagens são adoráveis <3. Essa luta incessante em colocar pra fora o que sente, acaba se tornando uma caçada ao próprio descobrimento, do que foram, do que são, e o do que querem. É um paradoxo que cria um espelho, e faz com que os personagens se conheçam com delicadeza, e encontrem o sentimento sincero. 
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