24 junho 2026

Cinema Oriental: O que Andei Assistindo


Aqui estou.

Olá terráqueos, cheguei mais rápido do que pensei. Hoje quero compartilhar minhas impressões sobre 2 filmes que assisti. Um deles eu já tinha escrito aqui há sei lá quantos anos atrás, mas nunca cheguei a postar. O outro eu vi recentemente, então pensei em juntar essas duas recomendações em um post só. 

Então, bora lá.


Gigantes e Brinquedos (1958)
Kyojin to gangu
Direção: Yasuzo Masumura
Drama, comédia, história
95 minutos

Já imaginou como seria o seriado Mad Men na versão japonesa? Pois então. ''Gigantes e Brinquedos'' é isso. Com um ritmo frenético do começo ao fim, o longa do Yasuzo Masumura deixa um pouco de lado à sensualidade e o machismo japonês, para contar; como a indústria deu um passo gigantesco, na economia dos anos 60 no Japão. 

Quase como um documentário histórico, este filme capta o espírito publicitário entre agências, com bastante alívios cómicos e tensão: um verdadeiro retrato do crescimento econômico da época. A história se centra em um chefe do departamento de propagandas de uma grande empresa de doces e seu subordinado, que buscam uma nova estratégia de venda de seus produtos. Eles encontram uma garota perfeita para a marca de caramelos; ingênua, bobinha, e uns belos dentes podres. Sim, o filme é cheio desse humor irônico. Só que ao longo da história, a rivalidade entre às marcas aperta, e a garota que impulsionaria a empresa, agora é famosa e quer buscar interesses próprios. Como então, dobrar o número de vendas sem sua estrela principal? Bem, esse filme vai mostrar isso. Vai falar sobre o trabalho excessivo do japonês, como nasce as idols e celebridades, e como eles controlam as mídias ao seu favor. 

Ganância é um dos temas aqui, mas o principal eu diria que é o consumismo. A mensagem que ficou - e que inclusive, é uma das falas dos personagens - é que; o trabalho, os produtos, os famosos, enfim, tudo isso, é uma maneira de sobreviver. Um ato de desligar o cérebro. Por isso muitos se matam de tanto trabalhar por exemplo, porque o medo da economia piorar, ou de pensar em suas próprias vidas, é grande. Pra quem tem interesse em saber mais sobre como surgiu o ápice do mercado industrial japonês, vale muito a pena. 


HIROSHIMA MEU AMOR (1959)

Hiroshima Mon Amour
Direção: Alain Resnais
Drama, Romance
90 minutos


Um dos filmes romanticos mais pesados que já assisti. Calma que explico. Imagina só começar já nos primeiros 20 minutos de filme, com a garganta apertada, o coração angustiado e o olhar que a toda hora quer desviar o olhar pra fora da tela. É assim que começa ''Hiroshima Meu Amor'', uma porrada atrás da outra, o filme começa dando um choque de realidade muito grande, nos colocando pra lembrar de uma tragédia colossal que aconteceu em Hiroshima. Mas a obra vai mais além, fala sobre o amor que habita em todos nós mas também fala do que há de mais podre intrínseco no ser humano.

A história se passa em Hiroshima 14 anos pós bomba atômica, onde está sendo filmado um filme sobre a paz, quase numa espécie de documentário com ficção. A protagonista que é interpretada pela brilhante atriz Emmanuelle Riva, vive um romance com um arquiteto japonês, o também maravilhoso ator Eiji Okada. Um dos começos mais impactantes que já vi, o filme começa com os corpos nus entrelaçados, sendo intercalados por uma textura de pele queimada, onde passado e presente se misturam e se chocam, de um lado um amor natural, do outro, a memória de uma crueldade que o tempo insiste em apagar. 

A obra tem muitos diálogos sublimes, mas o inicial ''você não viu nada em Hiroshima. Nada'', repetido muitas vezes pelo japônes, quase como uma tentativa de hipnose do esquecimento, é uma das cenas mais profundas e poéticas que já vi. As cenas que se seguem do horror, é de cortar o coração e fazer qualquer um chorar num piscar de olhos. Mas o filme se aprofunda mostrando também o horror e trauma vividos pela protagonista em Nevers, na França. Ambos carregam feridas emocionais de traumas coletivos vividos em territórios diferentes, mas mesmo em meio a tudo isso, encontram o amor. No final, eles mesmos se denominam e encarnam seus respectivos lugares de origens: ele Hiroshima, e ela Nevers.

O roteiro de Marguerite Duras foi indicado ao Oscar (merecidíssimo), e não átoa marcou a Nouvelle Vague e a filmografia de Alain Resnais. Este filme fala sobre dor e amor, porém a memória é retratada de forma magistral, tocante, humana e extremamente sensível. É pesado, mas é uma obra necessária, que vale a pena ser visto e revisto.


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Obrigada a todos que chegaram até aqui e até a próxima!
See you in space...

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