quinta-feira, 7 de julho de 2016

Kabaneri of the Iron Fortress e a sua qualidade decrescente

Shingeki no Kyojin com zumbis.


O mesmo cara que escreveu Shingeki no Kyojin voltou juntamente com o Wit Studio para compor mais um anime de mundo pós-apocalíptico. Dessa vez, apenas com 12 episódios, totalmente autorais, livre de adaptação de obras externas. Além do mesmo roteirista, tivemos também o mesmo diretor, o Tetsuro Araki, que também dirigiu obras como Death Note, Guilty Crown e etc. Lembrando também que o compositor é o Hiroyuki Sawano, o mesmo de qual anime mesmo?? Ah sim, Shingeki no Kyojin.

Afinal , por que reuniram toda essa turma do barulho, que coincidentemente trabalharam juntos num anime de sucesso comercial? Bem, é meio óbvio que é pra criar outro anime de sucesso. Ainda mais, notando a certa similaridade de plot, não há como pairar dúvidas no ar.

dependendo do poster, esse anime é mto fodastico
Sobre a história, é assim; Um vírus misterioso aparece durante a revolução industrial que transforma humanos infectados em Kabane (uma espécie de zumbis). E rapidamente vai se espalhando pela cidade/vilarejo. Kabanes não são tão fácies de serem combatidos como o zumbi tradicional; não os vence com uma estaca enfiada no cérebro por exemplo. Além de serem mais ágeis, eles só são vencidos quando o coração incandescente pela qual é protegida por uma camada de ferro, é perfurada. Dito isso, já dá pra ter uma noção, do quanto isso é difícil. As pessoas passam então a se adaptar à esse vírus, construindo estações de fortaleza para abrigar-se das criaturas, e indo de um lugar para o outro usando locomotivas a vapor blindados. Só que uma dessas locomotivas acaba sendo sequestrada por um kabane (sim, esses zumbis são inteligentes a tal ponto), e isso é o pontapé inicial para a invasão de todos eles. Já podem imaginar a carnificina, né?

No entanto, um jovem chamado Ikoma, quer aproveitar essa oportunidade para testar uma arma que combate esses kabanes, porém, ele acaba sendo infectado. De algum jeito ele consegue resistir ao vírus, se tornando assim metade kabane e metade humano. Nisso, ele conhece uma garota chamada Mumei que também é assim como ele (metade humano e metade aberração) e juntos, irão tentar sobreviver a todo custo, buscando abrigo em outro lugar.  

Kabaneri of the Iron Fortress tem uma animação caprichosa, visualmente falando. Àquele universo é tão bem simétrico, que é impossível não acreditar naquele circo de horrores que vai se degradando a cada episódio. A tensão se faz presente, embora não de maneira tão assustadora como acontece com Shingeki no Kyojin por exemplo. Os titãs além de deixar qualquer um se cagando mentalmente ao se colocar no lugar de alguém que está sendo jantado brutalmente, eles tinham expressões malucas que trazia toda a magia amedrontadora para perto. Os zumbis, digo, os kabanes, tinham o seu charme, basta olhar para aparência, principalmente para àquele coração brilhante que reluzia, ou para aquele kabane samurai que aparece depois na história e o monstro gigante - que pra mim é o que me deu mais medinho. Os kabanes trazem sim desconforto, mas logo eles nem se tornam mais o problema central ali. O que já não era tão assustador, vai perdendo o fôlego conforme os episódios vão passando. Logo eles não representam uma ameaça, mas sim uma válvula de escape para questões morais das pessoas que ainda estão vivas no meio daquelas criaturas. Com isso, concluo que a ideia era boa de balancear duas coisas numa temporada só com poucos episódios, mas, ficou uma coisa estranha no fim das contas porque cortou o clima proposto. Os primeiros episódios são sensacionais, mesmo com toda o desespero perante os kabanes já tinha todos os dilemas de sobrevivência humana ali, basta lembrar das pessoas tendo a dificuldade em acreditar na bondade do Ikoma. Não vi necessidade de acrescentar um vilão para colocar esse confronto de humanos em primeiro plano, foi uma brochada tremenda. Kabaneri poderia ter acabado no meio da temporada, e estaria bom demais.


Pra você ter uma ideia, o protagonista bundão Ikoma , já tá ali sofrendo horrores pra provar sua lealdade para o seu povo, pra quê que me colocam um vilão chamado Biba??? Fora desse nome ser risível, colocam ele ali na história pra quê? Pra ser parecido com o Governador de The Walking Dead?? Porque essa é a única explicação plausível.  O Ikoma é covarde, têm pequenos relapsos de coragem com a ajuda da Mumei, porém isso não faz dele um herói em momento algum. Ele não faz nada na série que você fala ''PUTA MERDA, VOCÊ É FODA'' ou então ''CARALHO, NÃO ESPERAVA ISSO DE VOCÊ'' ou ''É ISSO AÍ, ACABA COM ELES''. Ikoma é um personagem sem emoção, ele toma atitudes que não dá pra você defendê-lo. Me peguei várias vezes pensando ''cara, agora não é hora de dar um de adolescente mimado, seja homem, faz alguma coisa decente peloamordedeussss''. E mesmo que de vez em em quando ele faz algo que preste, ainda sim é muito pouco. Porque nos minutos seguintes ele começa à vacilar novamente. A Mumei consegue ser mais protagonista que ele, e olha que apesar dela aparentar uma mulher já formada, ela é só uma adolescente. É ela que puxa a emoção, que traz o brilho de um verdadeiro protagonista. Uma história pós-apocalíptica requer alguém que toma mais atitudes, e não alguém que tenta a todo momento fugir das responsabilidades.

Resumindo: O Ikoma é um bom personagem, .... mas só quando tá longe da Mumei. Porque quanto isso acontece, é ela que rouba a cena e mostra o que um protagonista tem que fazer. E eu quero ver é TRETA, SANGUE, EMOÇÃO,  ENERGIA numa história assim, toda tensa. E não apenas o basicão. Tem que se doar mais.
Quem me vê reclamando assim, acha que eu odiei Kabaneri, não é? mas não, eu não odeie. Eu achei um bom anime, e ele tem muitas coisas boas pra se elogiar. Como eu ia dizendo no meu raciocínio inicial, a animação é muito caprichosa. Eu gosto do designer dos personagens, das suas roupas, das armas, dos kabanes, das locomotivas, das cores, das cenas de ação e tudo mais. É um universo muito verídico, dá pra sentir uma verdade ali, embora exista um espaço de como surgiu os kabanes em aberto e mais uma porrada de outras explicações que ficaram de fora. Ainda sim, os personagens estão bem convincentes no geral e todo o contexto ali, é bem bonito. Não se duvida daquela realidade, porque tudo ali é muito persuasivo. 

Pena que essa persuasão não se estende para a outra metade do anime. Mas ainda sim, é um anime que eu o recomendaria, porque mesmo com seis episódios finais brochantes, ainda é melhor do que muita coisa da temporada. Mas não se surpreenda quando o anime descer ladeira à baixo; é natural quando se tenta copiar a terceira temporada de The Walking Dead. Agora torçamos por uma segunda temporada para consertarem esse estrago, a história realmente tinha potencial.


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