quinta-feira, 6 de junho de 2019

Shiki Oriori: O sabor da juventude (2018)


Tanto tempo sem escrever um post ''decente'', será que ainda consigo? Nada melhor do que comentar sobre um filme que tem tudo a ver com esse tipo de indagação: qual o sabor da saudade?

Texto escrito por Thais

Poderia ser um filme do talentoso Makoto Shinkai, mas se trata de um filme com muitos produtores envolvidos, e três diretores, sendo dois deles chineses e um japonês chamado Yoshitaka Takeuchi - pela qual, desconheço trabalhos anteriores. Porém, não é só a simplicidade e os cenários hiper delicados e realistas que os interliga, o estúdio é o CoMix Wave Films, o mesmo de vários do Makoto - mas vale dizer que também tem um dedo do estúdio chinês Haoliners Animation League. E já que estamos falando de conexões, esse filme é na verdade três episódios compilados, com três histórias distintas mas que tem uma tema em comum; a juventude. Em outras palavras; o olhar para trás depois de amadurecido. 

Shiki Oriori, ou Flavors of Youth como preferir chamar, não é o filme que vai mudar sua vida, ou te fazer chorar como o filme 5 Centimeters per Second, ou quem sabe ainda, o Your Name. Apesar de ser sim um filme sensível, agridoce, tocante em alguns momentos e envolvente em pouco tempo, é um filme que enche os olhos, e nos toca pela verossimilhança. 


À começar pela primeira história, que pra mim foi a melhor dentre as três apresentadas nesse filme. Talvez com um olhar critico demais, os primeiros minutos seja uma tentativa expositiva de trazer um olhar profundo pra uma história que nem sequer ainda havia começado. Alias, durante o filme todo dá pra se ter essa experiência frustrada, se for levado muito à sério, ou estar esperando um filme como o do Makoto. Obviamente, se nota que os produtores juntamente com os diretores talvez fizeram com essa intenção, pra surfar na onda do sucesso estrondoso que foi Your Name por exemplo. Sendo essa intenção ou não, existem muitas semelhanças que faz com esse filme seja confundido como uma obra do Makoto. Como por exemplo, a profundidade nas palavras, o foco nas pequenas coisas do cotidiano, cenários detalhados e com muitos significado para o personagem, e etc. E é justamente por isso que algumas pessoas podem torcer o nariz para esse filme. Em poucos minutos, isso é construído rapidamente, e os fãs mais assíduos do Makoto podem achar forçado. Como eu não estava esperando nada, consegui aproveitar relativamente bem a experiência. 

As três histórias nos coloca na perspectiva do personagem em questão, e como disse, a mais marcante com certeza é a a primeira. Resumindo a história, é um contraponto interessante da realidade crua e fria, com os tempos de infância que não voltam mais, como por exemplo o contato com a avó, a comida que só havia num lugar e etc. É pura poesia este episódio do filme. É a vida como ela é.
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Se fossemos escolher o gosto da saudade, que gosto ela teria? Com certeza ela teria do macarrão/yakissoba do restaurante mais próximo ou então da comida da avó. Não que a comida seja o foco, mas é o que remete aos bons tempos. É o que te faz lembrar dos dias ensolarados, de coisas que não voltam mais. Essa primeira parte, frisa bastante isso, e por isso ela funciona muito bem. É quase como se tivesse uma inspiração nos mangás do Jiro Taniguchi, autor conhecido por deixar seu personagem explorar as pequenas coisas da vida, desde o movimento do subúrbio da cidade, um museu, ou até os ingredientes de um delicioso prato. Você sente junto com o personagem o gosto daqueles tempos, porque suas lembranças se confundem junto com às dele, mesmo que você não tenha sido criado pela avó como é o caso. São coisas muito verossímeis, cotidiana, humana. É isso que torna a história sensível e delicada. Essa primeira parte do filme é como se cheirássemos o perfume das flores num dia de sol e céu azul depois de comer seu prato favorito feito pela pessoa que ama, pra logo depois ser arremessado num dia frio e chuvoso no meio de uma cidade sem vida, sem cor, com pessoas sem expressões no rosto de tão cansadas de viver na selva de pedra. Isso claro, depois de perceber que você é só mais um em meio à multidão.  



Na segunda parte do filme, vemos a história de duas irmãs que tentam se conectar uma com à outra, lidando assim com a falta dos pais. É um episódio que foca na parte competitiva da vida adulta, a obsessão por coisas fúteis e passageiras como a beleza. Essa história me fez lembrar de um caso parecido que aconteceu na vida real, alias recentemente aqui no Brasil, onde um jovem modelo desmaia na passarela do desfile e morre de maneira súbita. O questionamento que a história no anime levanta - ao menos no que tirei de lição - é apressão que colocamos em nós mesmos em sermos os melhores, qual o preço que se paga? a vida? Há quem ache essa segunda parte do filme fraca, genérica, o que concordo em parte, mas no fundo ele tem uma mensagem relevante. E isso basta nesse contexto. 

Na terceira e última parte do filme, o foco fica por conta dos encontros e desencontros que a vida proporciona. Os fãs do Makoto que forem assistir esse filme achando que é um filme dele, ou então,  os que forem assistir pensando encontrar algo do mesmo nível por ter um dedo do mesmo estúdio na produção, certamente vai gostar dessa história. Ainda mais quando se deparar com o romance entre dois jovens. Como eu disse no início, eu não sei se a intenção dos produtores e diretores era fazer algo parecido como o filme Your Name, mas nessa parte se nota semelhanças. Gostando ou não, é interessante a construção dos diálogos que deixa de ser tão expositivo, e mostra os sentimentos deles , ao invés de verbalizar isso com todas as letras. É mais um tema universal na espécie humana, essa vontade de estar perto de quem se ama, mas sem saber o que a outra pessoa passa internamente e o caminho oposto que a vida a levará. Não chega ser emocionante e tão pouco memorável, até porque acredito que os minutos foram insuficientes para se criar tal sentimento. No entanto, a simplicidade na história tem o seu brilho. E a saudade tem gosto agridoce. 

Por fim, concluo que Shiki Oriori é um bom filme; isso se a pessoa não estiver esperando algo do nível do Makoto Shinkai. Caso contrário, a frustração pode ser certeira. São três histórias que não têm nada de mirabolante, fantasioso, ou místico envolvido. São contos simples, dependendo do ponto de vista, até banais. Porém, pra quem consegue enxergar beleza nesse tipo de história, vai poder ter uma boa experiência.










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