terça-feira, 24 de março de 2020

Demon City Shinjuku - A História do Verdadeiro Messias Moderno (1988)


Sim terráqueos, eu Major Thais estou viva (até segunda ordem), e estou voltando pra comentar filmes (OVA'S) clássicos. Sendo eles bons ou não. 

Demon City Shinjuku é um dos vários romances que o Hideyuki Kikuchi escreveu nos anos oitenta, que basicamente, é uma mistura de monstros, demônios, criaturas bizarras, mocinha indefesa e um herói que não tem o poder de ajudar, mas no final acaba ficando incrivelmente forte e invencível.

Tendo bizarrices ou não, o que dá pra esperar é uma história cliché assustadoramente ... boa! Isso mesmo, essa é a prova que existem histórias previsíveis que são um ótimo entretenimento, e eu posso explicar o porquê!

Antes de tudo, é bom frisar que esse filme é diferente daquele que comentei aqui em 2015, o ''Wicked City''. Apesar de ter muito em comum, como o mesmo criador da história original, e o mesmo diretor que é o Yoshiaki Kawajiri, nesse filme em questão não tem tanta bizarrice e sexualidade aflorada. Na verdade, eu diria que ele passa por essas características de forma bem suave.


O objetivo do personagem principal é bem simples: terminar o que seu pai começou há dez anos atrás, que morreu ao enfrentar o demônio Rebi Ra, personagem este, que abriu um portal para o inferno na cidade de Shinjuku. Basicamente, o protagonista Kyoya tem que fechar esse portal, apesar dele ser bem inferior que seu pai, em questão de força e poder. De início, ele se mostra bem avesso à ideia de tentar combater o demônio, já que ele tem consciência de sua fraqueza, porém, ele muda de ideia quando uma jovem filha da autoridade da cidade se vê em perigo ao tentar se arriscar sozinha.

Tirando esse amontoado de cliché com gostinho de ''ninguém se importa'', o filme tem alguns pontos bem interessantes. Um dos ''Insights'' que tive assistindo foi quando o protagonista está lá jantando de boa assistindo TV, e o jornalista fala que o presidente lá acabou de assinar um contrato importante de paz, blá-blá-blá, até que ...ele diz que esse cara é considerado por muitos o ''messias moderno''. Isso me fez refletir no momento atual em que a gente vive no mundo, onde muitos querem sempre um herói, um político messias perfeito que vai salvar a pátria. Sendo tratado até como Jesus Cristo (como é o binosliro no Brasil por exemplo). É muito legal quando, num descuido do momento, o santo político daquela cidade é mostrado tendo um ataque repentino pelo vilão demo. Aquilo muda o sentido de que existem heróis, e o protagonista que é considerado um zé ninguém (que inclusive é até debochado pela sua insignificância), é o único cara que pode de fato salvar a cidade. 

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Outro ponto interessante que pude notar é que o protagonista acaba meio que se tornando uma espécie de Jesus. Quando ele aceita que ele não é um salvador como o pai dele, muito menos poderoso, o anime fica quase que uma passagem da bíblia narrando a trajetória de um zé ninguém ao herói. A diferença é que aqui ele está apaixonado pela moça (que por sinal, é extremamente ingênua, PQP), e pra ele, é a único motivo de derrotar o demônio. Mas no caminho, ele acaba salvando muitas almas que estavam presas naquele portal do inferno, que morreram e estão presas lá, sofrendo sem paz.
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Claro que o protagonista não é na prática  nenhum santo, inclusive, ele bate na bunda de uma das mulheres, e até sente desejos pela mocinha ingênua, ao ter que dormir na mesma cama que ela, porém, como ele também não é nenhum monstro (como na imagem ao lado, os súditos do demônio que rasga a roupa dela num momento), ele dorme no chão. Ou seja, com erros e acertos, ele é representado nem como do bem e nem como do mal. Ele é apenas um cara, normal, humano.



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Demon City Shinjuku é um bom entretenimento, pra quem não espera um Wicked City da vida, putaria com bizarrice nojenta. O filme é bem suave quando passa por essas características, e o mais legal é a atmosfera neo-noir de cada cena. O clima dark é bem imersivo, os cenários bem diferenciados uns dos outros, assim como os vilões.

Não é uma história pra se levar tão à serio, apesar de ter alguns pontos relevantes como havia dito. O romance entre os personagens é bem pastiche mexicano, sem pé e nem cabeça. As lutas com os monstros é até legal de ver, mas é sem emoção nenhuma, porque a gente já sente que o protagonista vai conseguir.

Enfim, é um filme mediano que vale ser visto como um passatempo nos tempos ociosos.  
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