sábado, 1 de março de 2014

Seis motivos para gostar de cinema Oriental



Quem precisa de praia quando se existe filme, não é mesmo?

Hoje você vai conferir pequenas resenhas de 06 filmes orientais, de variados gêneros. Por que? porque é férias, uhuul \o/ Este é um post-teste, e não sei se irá ter outros nesse mesmo formato futuramente. Isso vai depender de vocês, por isso deixe sua opinião nos comentários se quiser que eu continue. Se o retorno for positivo, podem ter certeza que farei outros muito mais bem elaborados e específicos do que esse. Por exemplo, irei separar por categorias, terror, drama, comédia, e etc, filmes novos como antigos. Isso sem esquecer o selo ”fabricação oriental”, é claro.

Lembrando que os filmes citados não estão por ordem de melhor e nem pior. O que você vai ler são só pequenos resumos da minha opinião sobre eles. Verifique qual deles apresenta o gênero que lhe agrada, e mergulhe-se no cinema oriental. Todos os textos estão bem objetivos, e sem spoilers. É isso ai, espero que gostem.
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A Câmera 36 de Shaolin

O lendário estúdio Shaw Brothers, de propriedade dos irmãos Shaw, Sir Run Run Shaw & Runme Shaw, foi a principal e maior empresa de produção de filmes de Hong Kong nos anos 60, 70 e 80, e produziu até hoje mais de 1000 filmes, tornando os filmes de artes marciais num fenômeno internacional.

A Câmara 36 de Shaolin, um clássico das artes marciais feito nos longínquos anos 70.



A história de A Câmara 36 de Shaolin, como sempre, não possui muitas complicações. Durante o governo dos Manchus, um grupo de rebeldes opositores do regime infiltra-se na população usando o disfarce de professores. Assim que o plano é descoberto, o general massacra a todos, restando apenas o jovem San Te. Aos olhos do garoto, a única alternativa passa a ser buscar refúgio no Templo Shaolin, aprendendo kung-fu com o objetivo de ensinar o povo a se defender. Assim que ele chega ao Templo, então, o foco do filme é o Cruél treinamento ao qual San Te é submetido.

O treinamento é composto por 35 câmaras. Em cada uma delas, os alunos aprenderão a dominar uma habilidade específica e fortalecerão seus corpos, mentes e espíritos. Após passar por todas elas em tempo recorde, San Te recebe um prêmio: poderá cuidar de qualquer uma das câmaras à sua escolha. Porém, os objetivos dele são mais ambiciosos. O que o prodígio deseja é criar uma nova câmara, a 36 do título, onde irá transmitir seu conhecimento aos cidadãos oprimidos. Ao ter seu pedido negado, San Te recebe uma punição e deve recolher contribuições fora do Templo Shaolin. É então que sua verdadeira luta contra o general tem início.

Dentro deste gênero e época, A Câmara 36 de Shaolin, de 1978, é um clássico essencial e absoluto. Pela primeira vez, um filme de kung-fu mostrava o tão famoso Templo Shaolin.

Até então, nenhum filme havia conseguido retratar o treinamento pelo qual os monges passavam até tornarem-se grandes lutadores. Um dos principais motivos é que as principais estrelas dos estúdios não queriam raspar a cabeça, vejam só. Além disso, um filme sobre monges não abre muito espaço para papéis femininos, uma das principais armas de bilheteria da época. Foram estes problemas que possibilitaram ao diretor Lau Kar-leung, já consagrado como coreógrafo de outros filmes, estrelar uma produção com seu irmão adotivo e discípulo de kung-fu, o até então desconhecido Gordon Liu, no papel de San.

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O Mestre da Guilhotina Voadora

Um dos mais memoráveis filmes de Kung Fu, e também um dos mais divertidos de todos os tempos, por incrível que pareça não foi produzido pelo estúdio Shaw Brothers, na verdade quem dirigiu esse filme foi Jimmy Wang Yu, um antigo ator que fez varias películas com a veterana Shaw.



O filme é de 1976 e narra a historia de Fu Sing Wu Chi um velho monge e cego que habitava sozinho nas montanhas, até que um dia recebe uma mensagem dizendo que o misterioso assassino de um braço só, acabou assassinando brutalmente dois de seus jovens discípulos, então o que o velhote faz, resolve buscar vingança contra todos os manetas que ele vê pra frente, e pra piorar ele ainda anda armado com uma macabra guilhotina voadora.

Pancadaria pura. Nesse filme você vai encontrar uma produção trash de primeira, e muita, mas muita porrada.

‘O mestre da guilhotina voadora’ é repleto de pancadarias acrobáticas, e muitos personagens excêntricos. Afinal, tem coisa mais divertida que um velhote cego arrancando a cabeça do primeiro maneta que aparece na sua frente, com uma Guilhotina voadora, e jogando bombinhas ninja nos oponentes? Pode acreditar, esse é um filmaço pra quem curte o verdadeiro Kung fu, com seus personagens exóticos, e muitas vinganças sanguinárias!

Mais uma vez, o filme o prova o quanto os asiáticos são imbatíveis quanto se trata desse tema, vale a pena assistir se você gosta do gênero.

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Hear Me

Pra quem está procurando algo mais leve, nada melhor do que ver uma boa comédia romântica. Lançado em 2009 pela diretora chinesa Fen Fen Cheng, Hear me é um drama extremamente sutil e ingênuo, capaz de arrancar pequenas lágrimas dos mais sentimentais. Simples e divertido, confira ai um pouquinho da sinopse.



A história: Yang Yang e sua irmã Xiao Peng, tem uma forte relação. Por nascerem surdas, elas se comunicam usando linguagem de sinais. Tendo o sonho de participar da olimpiada para surdos, Xiao Peng participa do time de natação. Tian Kuo, o entregador de marmitas, acaba se apaixonando por Yang Yang. Eles começam a sair, porém, Yang Yang pensa que está deixando sua irmã de lado e decide se afastar dele…

Como disse anteriormente, ”Hear Me” é bem simples e divertido. Engraçado eu dizer isso se tratando de um filme que contém assuntos complexos, como a surdez e distúrbios de fala. Mais é muito interessante a proposta que ela trás, e tudo muito gostoso de ver até porque é tudo muito natural. A humanidade foi o que mais me impressionou. A diretora conseguiu fazer um drama leve e saudável sem se tornar num romance artificial ou clichê. 

É maravilhoso saber como as cenas dos diálogos (as linguagens de sinais) se tornaram em algo completamente expressivo, noto isso nitidamente do começo ao fim, isso é o que torna o romance ali tão verdadeiro.

“Amor e sonhos são milagrosos. Eles não precisam ser ouvidos, falados ou traduzidos”.

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Hausu

Que deus abençoe amente insana do japa que fez essa maravilha, só quem assistiu sabe como este filme é estupidamente surreal. Lançado mundialmente em meados dos anos 70 pelo diretor Nobuhiko Obayashi, Hausu é considerado surrealismo puro, insanidade total, e que com certeza lhe arrancará gargalhadas de tão absurdo que tudo ali se torna. Confira ai um pouco da sinopse:


A história: Gorgeous estava excitada com a ideia de passar as férias de verão com o seu pai, até descobrir que a namorada dele iria junto. Então, ela decide ir a casa no campo de sua tia, levando consigo suas amigas de escola – Fantasy (que gosta de tirar fotos e devaneia a maior parte do tempo), Kung Fu (que tem ótimos reflexos), Sweet (que adora limpar), Prof (uma super nerd), Mac (que come muito), e Melody (uma musicista). Chegando a casa, eventos bizarros começam a ocorrer e as garotas começam a desaparecer uma a uma enquanto descobrem o segredo por trás de toda a aparente loucura. Tudo isso em um tom satírico e por vezes surreal.

Sim, é diferente de tudo o que você já viu. Não estou se tratando da sinopse, mais sim do terror próprio que o filme apresenta. Sem limites e sem nenhum tipo de padrão, o filme caga todas as regras e ainda faz do medo uma bela sátira. Eu jurei por Deus que o filme tinha sido dirigido por uma criança. É um pesadelo infantil. Tudo vai se tornando tão perturbador que chega a ser tosco. Mais um tosco maravilhoso. Aquele ácido lisérgico vira uma brisa banhada á sangue.

Nunca vi nada parecido nos efeitos, nas cores, no ato de filmar, e nada igual a ingenuidade das personagens ao qual apresentam um carisma absurdo. Trash tirado de primeira. É um experimental irreverente e EXCLUSIVO dos japoneses. É simplesmente Japão sendo Japão.


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Confissões

Lançado em 2010,o filme Kokuhaku (Em português, Confissões) do diretor Tetsuya Nakashima, é muito mais do que só mais uma história de vingança, é um verdadeiro teste psicológico. O filme ganhou grande repercussão no Japão, tanto que chegou a concorrer ao Oscar de melhor filme estrangeiro de 2011.



A história: No último dia de aula em uma escola, a professora se despede dos alunos e diz que não mais voltará a lecionar. Ela ainda faz uma afirmação: sua filha de apenas quatro anos de idade, que supostamente morreu afogada na piscina da própria escola, na verdade foi assassinada por dois estudantes daquela classe. Antes mesmo de alguém se pronunciar, sem meias-palavras a professora anuncia que está prestes a se vingar. O que se vê é a transformação de uma pessoa calma e passiva numa mulher de sangue-frio.

O filme não mostra a redenção, mais sim o psicológico. A história trata de uma vingança, quando você pensa que entendeu tudo, os malditos asiáticos lhe explodem a mente.

‘Confissões’ tem ótimas atuações, um bom enredo, uma direção perfeita, e diálogos excelentes. É um complexo de solidão, édipo, mania de grandeza, inadequação, e discussões sobre a vida. Uma verdadeira tortura psicológica, em uma das vinganças mais avassaladoras do cinema.

Nem vou comentá-lo mais do que isso, se não entregarei spoilers, e não é essa minha intenção. Só digo uma coisa: Não espere nem mais um dia para assisti-lo.

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Ninguém pode saber

”Nobody Knows” ou o melhor dizendo ”Ninguém pode saber”, é um drama de 2004 dirigido por Hirokazu Koreeda. Esse foi o meu primeiro contato com o diretor, e tenho que admitir que foi uma experiência perturbadora. Impossível não se comover.



O filme conta a história de quatro irmãos mudam-se com sua mãe para um pequeno apartamento em Tóquio, sendo que todos têm pais diferentes. As crianças nunca foram à escola e apenas o filho mais velho entra caminhando normalmente no novo apartamento, com os outros chegando escondidos em malas. Ninguém pode ficar sabendo que mais de três pessoas vivem ali, sob o risco de serem expulsos. Tudo vai bem até que, um certo dia, a mãe (You) vai embora, deixando para o filho mais velho, Akira (Yuya Yagira), de 12 anos, um bilhete e um pouco de dinheiro. Começa então o duro processo de amadurecimento precoce de Akira.

O Japão é bombardeado de melodramas em todo tipo de mídia, seja em doramas, mangás, ou até mesmo em filmes. Cada vez que me aprofundo mais nessas histórias, eu fico de boca aberta. Sempre quando alguém me perguntar qual enredo é a mais impactante, sempre ficarei na dúvida. Mas, uma das histórias que mais mexeu comigo com certeza é esta.

‘Ninguém pode saber’ é um filme sem efeitos, brilhos ou sons chamativos. Tudo é muito cru, e extremamente honesto. É doloroso assistir mesmo não contento nenhum tipo de violência. É muito triste, mas ao mesmo tempo é belo. Acredito que é uma crítica ao amadurecimento precoce das crianças japonesas. Ele pode ser interpretado também como uma mensagem direta aos adultos irresponsáveis, que bastante iludidos pelo sonho momentâneo de criar um filho, esquecem da suprema importância que existe em colocar alguém no mundo.

O filme é um retrato sensível de fatos reais. É um Silêncio que grita.

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